CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Durante uma trabeculectomia, a sutura do retalho escleral deve ser feita idealmente com:
Sutura do retalho escleral na TREC = Nylon 10-0 (permite sutura-lise posterior).
O Nylon 10-0 é o material de escolha para o retalho escleral na trabeculectomia por ser inerte e permitir o ajuste da filtração via sutura-lise a laser no pós-operatório.
A trabeculectomia continua sendo a cirurgia filtrante de referência para o tratamento do glaucoma não controlado clinicamente. O sucesso do procedimento depende do equilíbrio delicado entre a drenagem do humor aquoso e a resistência oferecida pelo retalho escleral. A técnica de sutura deste retalho é, portanto, um dos passos mais críticos da cirurgia. O uso de Nylon 10-0 permite que o cirurgião aplique suturas firmes inicialmente, garantindo que o olho não fique hipotônico no pós-operatório imediato. A capacidade de realizar a sutura-lise transforma a trabeculectomia de um procedimento estático em um processo dinâmico. Além disso, o uso de antimetabólitos como a Mitomicina C, associado à técnica correta de sutura, aumentou significativamente as taxas de sucesso a longo prazo, permitindo a manutenção de pressões intraoculares baixas e estáveis.
O uso do fio de Nylon 10-0 na sutura do retalho escleral durante a trabeculectomia é o padrão-ouro devido às suas propriedades físicas e à versatilidade no manejo pós-operatório. Sendo um monofilamento não absorvível, ele oferece uma força tênsil previsível e mínima reação inflamatória tecidual. A principal vantagem clínica reside na possibilidade de realizar a sutura-lise com laser de Argônio no período pós-operatório imediato ou mediato. Caso a pressão intraocular (PIO) permaneça elevada devido a uma drenagem insuficiente pelo retalho, o cirurgião pode romper seletivamente os pontos de Nylon através da conjuntiva íntegra. Isso permite um ajuste fino e não invasivo da filtração, otimizando o sucesso da cirurgia e minimizando riscos de hipotonia súbita ou falha da bolha filtrante por cicatrização excessiva.
A sutura-lise a laser é um procedimento pós-operatório realizado após uma trabeculectomia para aumentar o fluxo de humor aquoso para o espaço subconjuntival. Utiliza-se o laser de Argônio e uma lente especial (como a lente de Hoskins) para visualizar os pontos de Nylon 10-0 através da conjuntiva. Ao romper um ou mais pontos, a resistência ao fluxo no retalho escleral diminui, resultando em uma queda da pressão intraocular. Este procedimento é fundamental para manejar casos onde a PIO não atingiu o nível alvo nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia, permitindo que o cirurgião evite reintervenções invasivas e controle a formação da bolha filtrante de forma dinâmica.
Embora o Nylon 10-0 seja o mais comum, alguns cirurgiões podem utilizar fios de Polipropileno (Prolene) 10-0, que também é não absorvível e monofilamentar. No entanto, o Nylon é preferido para a sutura-lise porque absorve melhor a energia do laser de Argônio, facilitando o rompimento do fio. Fios absorvíveis como a Poliglactina (Vicryl) não são indicados para o retalho escleral, pois sua degradação espontânea e imprevisível impediria o controle manual da filtração e poderia levar a hipotonia tardia ou fechamento prematuro da fístula por inflamação. Para a sutura da conjuntiva, por outro lado, fios absorvíveis como o Vicryl 8-0 ou 10-0 são frequentemente utilizados.
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