PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 28 anos de idade, primigesta, com 32 semanas e 3 dias de gestação, chega na maternidade com queixa de dor abdominal associada a endurecimento do abdome, que iniciaram há 2 horas, associadas a dor lombar. Relata que as cólicas ocorrem a cada 10 minutos, têm duração de 40 segundos e são de intensidade crescente. Além disso, a paciente apresenta secreção vaginal mucoide, sem sinais de sangramento. Está em bom estado geral, sem febre ou sinais de infecção, e não tem histórico de doenças prévias, como hipertensão ou diabetes. Não há histórico de trauma ou ruptura prematura de membranas. No exame físico, o abdome está distendido, com útero globoso e sensível à palpação. Ao exame vaginal, o colo uterino está dilatado para 2,0cm, com apagamento de 50%, e as membranas estão íntegras. A ultrassonografia revela um líquido amniótico adequado, com apresentação cefálica.Indique a principal conduta inicial para essa paciente:
Gestante < 34 semanas com diagnóstico de TPP → Corticoide para maturação pulmonar fetal é a conduta prioritária.
A corticoterapia antenatal é a intervenção de maior impacto na redução da morbimortalidade neonatal em partos pré-termo. Ela acelera a produção de surfactante pulmonar, diminuindo significativamente o risco de síndrome do desconforto respiratório no recém-nascido.
O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como a presença de contrações uterinas regulares associadas a alterações do colo uterino antes de 37 semanas completas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade neonatal em todo o mundo, sendo responsável por complicações como a síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. O diagnóstico baseia-se na combinação de critérios clínicos: idade gestacional entre 20 e 36s6d, contrações uterinas rítmicas e documentação de modificação cervical (dilatação e/ou esvaecimento). A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo infecções, inflamação, sobredistensão uterina e isquemia uteroplacentária. A identificação correta e o manejo rápido são cruciais para melhorar os desfechos perinatais. O manejo do TPP visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal. A conduta inicial prioritária para gestações com menos de 34 semanas é a administração de um ciclo de corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) para acelerar a maturação pulmonar fetal. A tocólise pode ser associada para inibir as contrações por 48 horas, permitindo a ação do corticoide. A neuroproteção com sulfato de magnésio também é indicada em idades gestacionais inferiores a 32 semanas.
O diagnóstico é feito em gestantes entre 20 e 36 semanas e 6 dias, com contrações uterinas rítmicas (4 em 20 min ou 8 em 60 min) associadas a alterações cervicais, como dilatação ≥ 2 cm e esvaecimento ≥ 80%, ou modificação cervical documentada em observação.
Porque é a medida que mais reduz a mortalidade e a morbidade neonatal, principalmente a síndrome do desconforto respiratório e a hemorragia intraventricular. A tocólise é adjuvante, usada para garantir o tempo necessário para a ação do corticoide.
As contraindicações incluem sofrimento fetal agudo, corioamnionite, pré-eclâmpsia grave, sangramento materno com instabilidade hemodinâmica e malformações fetais incompatíveis com a vida. Nessas situações, a interrupção da gestação é indicada.
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