HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
3. N.T.B., 32 anos, GII P0 AI, IG, pelo ultrassom (usg) precoce, de 34 semanas e 4 dias, deu entrada no PSO com queixa de dor tipo contração uterina. Nega comorbidades ou outros sintomas. Ao toque vaginal: colo 3 cm, fino, anterior, bolsa íntegra, apresentação cefálica. BCF 148 bpm, DU 2/10’/30”. De acordo com o caso, assinale a conduta correta.
Em trabalho de parto prematuro tardio (≥34 semanas), tocolise e neuroproteção não são indicadas; a conduta é expectante e monitorização.
Em gestações com 34 semanas e 4 dias, a ameaça de parto prematuro já se encontra na fase de parto prematuro tardio. Nesta idade gestacional, a tocolise e a neuroproteção com sulfato de magnésio não são mais indicadas, e o benefício dos corticosteroides para maturação pulmonar é mínimo. A conduta mais apropriada é a observação e monitorização da progressão do trabalho de parto.
O trabalho de parto prematuro é definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação. Ele é classificado em prematuro extremo (<28 semanas), muito prematuro (28 a 31 semanas e 6 dias), prematuro moderado (32 a 33 semanas e 6 dias) e prematuro tardio (34 a 36 semanas e 6 dias). O manejo difere significativamente entre essas categorias, sendo um tema de alta relevância para a prática obstétrica e para provas de residência. A fisiopatologia do trabalho de parto prematuro é multifatorial, envolvendo inflamação, infecção, estresse uterino e fatores genéticos. O diagnóstico baseia-se na presença de contrações uterinas regulares e alterações cervicais (dilatação ≥ 2 cm ou esvaecimento ≥ 80%). A idade gestacional é o fator determinante para a conduta, pois influencia a maturidade fetal e a indicação de intervenções como tocolise, corticosteroides para maturação pulmonar e sulfato de magnésio para neuroproteção. No caso de trabalho de parto prematuro tardio (≥34 semanas), como o apresentado na questão (34 semanas e 4 dias), a tocolise para inibir o parto não é geralmente recomendada, pois os riscos maternos e fetais superam os benefícios. Da mesma forma, o sulfato de magnésio para neuroproteção e os corticosteroides para maturação pulmonar têm benefício mínimo ou nulo nesta idade gestacional. A conduta mais apropriada é a monitorização cuidadosa da progressão do trabalho de parto e do bem-estar fetal, preparando-se para o parto vaginal, a menos que haja outras indicações obstétricas para cesariana. A reavaliação do toque vaginal em 1-2 horas é crucial para determinar a velocidade da progressão do trabalho de parto.
O trabalho de parto prematuro tardio ocorre entre 34 semanas e 0 dias e 36 semanas e 6 dias de gestação. Nesta fase, a conduta geral é expectante, com monitorização da mãe e do feto, pois a tocolise e a neuroproteção não são mais indicadas devido ao risco-benefício desfavorável e à maturidade fetal avançada.
Corticosteroides são indicados para maturação pulmonar entre 24 e 33 semanas e 6 dias de gestação, com benefício marginal até 34 semanas e 6 dias em casos selecionados. O sulfato de magnésio para neuroproteção é indicado para gestações com menos de 32 semanas, podendo ser estendido até 33 semanas e 6 dias em algumas diretrizes, mas não após 34 semanas.
Tentar inibir o trabalho de parto (tocolise) em gestações com mais de 34 semanas expõe a mãe a efeitos adversos dos tocolíticos sem benefício significativo para o feto, que já possui maturidade pulmonar e neurológica considerável. Pode atrasar um parto que seria seguro e necessário, aumentando o risco de infecção ou outras complicações.
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