Trabalho de Parto Prematuro (33 Semanas): Conduta Essencial

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante, G1 P0, IG: 33 semanas, é atendida na emergência com queixa de dor abdominal importante. Durante a avaliação clínica, foi identificado atividade uterina com metrossístoles de 3/10'/50", tônus uterino normal, movimentação fetal ativa, bcf: 148bpm, toque: colo em centralização, 70% apagado, dilatado 3-4 cm, apresentação cefálica, bolsa íntegra. Nesse contexto, Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Internação, rastreio de infecção e observação por 48h.
  2. B) Tocólise oral domiciliar com nifedipina e corticoterapia.
  3. C) Repouso em DLE e reavaliação em 4 a 6h para definir a melhor conduta.
  4. D) Cesariana imediata.
  5. E) Internação, rastreio de infecção, uso de tocolítico e corticoterapia para maturação pulmonar.

Pérola Clínica

Trabalho de parto prematuro (33 semanas) com dilatação → Internar, tocolítico, corticoide (maturação pulmonar) e rastreio de infecção.

Resumo-Chave

A paciente apresenta trabalho de parto prematuro (33 semanas, G1P0, dilatação 3-4 cm, metrossístoles). Nesta idade gestacional, a conduta ideal inclui internação, uso de tocolíticos para inibir as contrações e prolongar a gestação, corticoterapia para maturação pulmonar fetal (benefício até 34 semanas) e rastreio de infecção, que é uma causa comum de trabalho de parto prematuro. A neuroproteção com sulfato de magnésio também seria considerada, mas não está nas opções.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro, definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A paciente em questão, com 33 semanas de gestação e dilatação cervical de 3-4 cm, está em trabalho de parto prematuro ativo, exigindo intervenção imediata. A conduta nesse cenário deve ser abrangente e visa prolongar a gestação, se possível, e preparar o feto para um nascimento prematuro. A internação é imperativa para monitoramento materno e fetal contínuo. O rastreio e tratamento de infecções (urinárias, vaginais, corioamnionite) são cruciais, pois infecções são causas comuns de prematuridade. A tocólise, com o uso de agentes como nifedipina, atosiban ou terbutalina, busca inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação por pelo menos 48 horas, tempo necessário para que a corticoterapia para maturação pulmonar fetal faça efeito. A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) é fundamental em gestações entre 24 e 34 semanas para reduzir a síndrome do desconforto respiratório e outras complicações neonatais. Além disso, a neuroproteção fetal com sulfato de magnésio deve ser considerada em gestações < 32 semanas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de trabalho de parto prematuro?

O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e dolorosas (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) que resultam em modificações cervicais (apagamento de 80% ou dilatação de 2 cm ou mais) antes de 37 semanas de gestação.

Por que a corticoterapia é indicada no trabalho de parto prematuro?

A corticoterapia (ex: betametasona ou dexametasona) é indicada para promover a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em gestações entre 24 e 34 semanas.

Quais são os principais tocolíticos utilizados e suas contraindicações?

Os principais tocolíticos incluem nifedipina (bloqueador de canal de cálcio), atosiban (antagonista do receptor de ocitocina) e terbutalina (agonista beta-adrenérgico). As contraindicações variam, mas geralmente incluem condições maternas (doença cardíaca grave, hipertireoidismo descompensado) ou fetais (sofrimento fetal, anomalias letais, corioamnionite).

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