Trabalho de Parto Prematuro: Condutas Essenciais e Neuroproteção

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 18 anos, 29 semanas de gestação, internada no centro obstétrico para inibir trabalho de parto com terbutalina e anti-inflamatório. Exame físico geral normal. Apesar da medicação, a paciente mantém atividade uterina de 4 contrações moderadas/10 minutos, frequência cardíaca fetal de 160 bpm, com movimentos fetais. Toque vaginal: colo fino, centrado, 6 cm dilatado, pélvico, bolsa íntegra. Há 3 dias, foi iniciada betametasona, em dose única diária, repetida por dois dias consecutivos. Quais são as melhores condutas nesse momento?

Alternativas

  1. A) Penicilina cristalina, sulfato de magnésio e cesárea.
  2. B) Novo ciclo de corticosteroides e parto cesárea.
  3. C) Atosiban, penicilina cristalina e cerclagem de urgência.
  4. D) Analgesia de parto, ocitocina endovenosa e assistência ao parto vaginal.

Pérola Clínica

TPP com dilatação avançada e membranas íntegras, após corticoide → ATB para GBS, neuroproteção fetal (MgSO4) e considerar parto vaginal.

Resumo-Chave

Em trabalho de parto prematuro avançado (6 cm) com membranas íntegras, após corticoterapia para maturação pulmonar, as prioridades são a profilaxia para GBS, neuroproteção fetal com sulfato de magnésio e assistência ao parto, geralmente vaginal.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação e é a principal causa de morbimortalidade neonatal. O manejo visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, prevenir complicações e preparar o neonato para o nascimento. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais para melhorar o prognóstico. Neste caso, a paciente apresenta TPP avançado (6 cm de dilatação) apesar da tocolise, e já recebeu o ciclo completo de corticosteroides para maturação pulmonar fetal. Com 29 semanas, o feto é viável, mas extremamente prematuro. A fisiopatologia do TPP é multifatorial, envolvendo inflamação, infecção, estresse uterino e fatores genéticos. As melhores condutas neste momento incluem a profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) com penicilina cristalina, devido ao risco de infecção neonatal em partos prematuros. O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações < 32 semanas, reduzindo o risco de paralisia cerebral. Com 6 cm de dilatação e colo fino, o parto é iminente e a tocolise adicional não é mais eficaz. A assistência ao parto vaginal é geralmente preferível, a menos que haja uma indicação obstétrica para cesariana.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) no trabalho de parto prematuro?

A profilaxia para GBS é indicada em trabalho de parto prematuro, rotura prematura de membranas, bacteriúria por GBS na gestação atual, ou histórico de filho com doença invasiva por GBS.

Qual o papel do sulfato de magnésio no trabalho de parto prematuro?

O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em partos prematuros antes de 32 semanas, reduzindo o risco de paralisia cerebral e outras disfunções neurológicas.

Quais os benefícios dos corticosteroides na prematuridade?

Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) aceleram a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.

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