Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Secundigesta, com gestação gemelar, idade gestacional de 33 semanas, apresenta dores intermitentes no abdome. É portadora de taquicardia sinusal em uso de metoprolol 50 mg duas vezes ao dia. Ao exame, apresenta PA = 120 x 80 mmHg; FC = 96 bpm; altura uterina de 37 cm; dinâmica uterina de 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos e, ao toque vaginal, colo do útero médio, medianizado e pérvio para 3 cm. Cardiotocografia categoria I da OMS para ambos os fetos. A melhor conduta, para esse caso, será:
Trabalho de parto prematuro (33 sem, gemelar, colo 3cm) + taquicardia materna (metoprolol) → Atosibana (antagonista ocitocina) é a melhor escolha tocolítica.
A paciente apresenta trabalho de parto prematuro em gestação gemelar de 33 semanas. A presença de taquicardia sinusal e uso de metoprolol contraindica o uso de betamiméticos (como terbutalina e isoxsuprina) devido aos efeitos cardiovasculares. A atosibana, um antagonista dos receptores de ocitocina, é uma opção segura e eficaz nesses casos.
O trabalho de parto prematuro em gestações gemelares é uma situação clínica desafiadora, com maior risco de morbimortalidade neonatal. A conduta visa prolongar a gestação o máximo possível para permitir a maturação fetal, especialmente a pulmonar, e deve ser individualizada considerando as condições maternas e fetais. A idade gestacional de 33 semanas é um ponto crítico, onde a inibição do parto e a corticoterapia para maturação pulmonar são geralmente indicadas. A escolha do tocolítico é fundamental. Betamiméticos, como terbutalina e isoxsuprina, são eficazes, mas possuem efeitos colaterais cardiovasculares significativos, como taquicardia materna, palpitações e hipotensão. No caso de uma paciente já em uso de metoprolol para taquicardia sinusal, o uso de betamiméticos seria contraindicado ou de alto risco, pois poderia exacerbar a taquicardia ou interagir com o betabloqueador. Nesse cenário, a atosibana, um antagonista dos receptores de ocitocina, emerge como a melhor opção. Ela atua bloqueando a ação da ocitocina no miométrio, resultando em relaxamento uterino com um perfil de segurança cardiovascular mais favorável. Além da tocolise, a administração de corticosteroides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal é uma medida padrão em gestações prematuras entre 24 e 34 semanas, melhorando significativamente o prognóstico neonatal.
A atosibana é indicada para inibição do trabalho de parto prematuro entre 24 e 33 semanas e 6 dias de gestação, especialmente em casos onde betamiméticos são contraindicados ou mal tolerados devido a condições maternas.
Betamiméticos como terbutalina e isoxsuprina são contraindicados em pacientes com doenças cardíacas, hipertireoidismo, diabetes descompensado e em uso de betabloqueadores, devido aos seus efeitos cardiovasculares como taquicardia e hipotensão.
Com 33 semanas, a gestação ainda é prematura, e a inibição do trabalho de parto, juntamente com a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal, é crucial para melhorar o prognóstico neonatal, reduzindo complicações respiratórias.
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