Trabalho de Parto Prematuro: Conduta e Terapêutica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta de 19 anos, com idade gestacional de 32 semanas e 4 dias, apresenta dor em baixo ventre. Exame obstétrico: três contrações a cada 10 minutos, feto longitudinal e cefálico, BCF 148 bpm, colo uterino medianizado, esvaecido 50%, com dilatação de 4 cm e bolsa amniótica íntegra. A conduta correta é prescrever:

Alternativas

  1. A) corticoide, tocolítico, sulfato de magnésio e antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B.
  2. B) tocolítico, sulfato de magnésio e antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B.
  3. C) corticoide, tocolítico e antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B.
  4. D) corticoide, tocolítico e sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

TTP < 34s: Corticoide (maturação), Tocolítico (inibir), Profilaxia GBS (se desconhecido/positivo). Sulfato de Magnésio para neuroproteção < 32s.

Resumo-Chave

Em trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas, a conduta padrão inclui corticoide para maturação pulmonar fetal e tocolítico para prolongar a gestação. A profilaxia para Estreptococo do Grupo B é indicada devido ao risco de infecção neonatal. O sulfato de magnésio para neuroproteção é prioritário antes de 32 semanas.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início do trabalho de parto antes da 37ª semana de gestação e é a principal causa de morbimortalidade neonatal. O manejo adequado do TPP é um tópico de grande importância na residência médica. A paciente do caso, com 32 semanas e 4 dias de gestação e dilatação de 4 cm, está em TPP. A conduta visa otimizar os resultados neonatais e, se possível, prolongar a gestação. As principais intervenções no TPP entre 24 e 34 semanas incluem: 1. Corticosteroides: A administração de corticoide (betametasona ou dexametasona) é fundamental para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. 2. Tocolíticos: São utilizados para inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação por um período suficiente para que os corticoides façam efeito e, se necessário, para a transferência da paciente para um centro com UTI neonatal. 3. Profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS): É indicada em gestantes com TPP, ruptura prematura de membranas ou cultura positiva/desconhecida para GBS, para prevenir a sepse neonatal precoce. O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal é uma intervenção importante, mas sua indicação primária é para gestações com menos de 32 semanas, visando reduzir o risco de paralisia cerebral. Embora algumas diretrizes possam estender essa indicação até 34 semanas em situações específicas, na idade gestacional de 32 semanas e 4 dias, as intervenções de corticoide, tocolítico e profilaxia para GBS são as mais abrangentes e prioritárias para a maioria dos casos. A escolha da conduta deve sempre considerar o equilíbrio entre os riscos e benefícios para a mãe e o feto.

Perguntas Frequentes

Quando é indicado o uso de corticoide para maturação pulmonar fetal no trabalho de parto prematuro?

O uso de corticoide (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal é indicado para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de idade gestacional, visando reduzir a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal e outras complicações.

Qual a função do tocolítico no trabalho de parto prematuro e quando ele é contraindicado?

O tocolítico tem a função de inibir as contrações uterinas, prolongando a gestação por 24-48 horas para permitir a administração completa do corticoide e, se necessário, a transferência da gestante para um centro terciário. É contraindicado em casos de sofrimento fetal, corioamnionite, pré-eclâmpsia grave, descolamento prematuro de placenta, hemorragia ativa e dilatação cervical avançada.

Por que a antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B é importante no parto prematuro?

A antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B (GBS) é crucial no parto prematuro para prevenir a transmissão vertical da bactéria para o recém-nascido, que pode causar sepse neonatal precoce, pneumonia ou meningite. É indicada em gestantes com trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ou cultura positiva para GBS, especialmente se o status for desconhecido.

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