Trabalho de Parto Prematuro: Conduta na RPMO

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta de 21 anos, com 32 semanas de gestação, procura pronto atendimento com queixa de contrações e perda líquida vaginal. Ao exame: batimentos cardiofetais regulares, saída de líquido claro pelo orifício externo do colo, colo uterino dilatado 4cm, apresentação cefálica. Assinale a opção que apresenta a conduta adequada para o caso:

Alternativas

  1. A) Iniciar tocólise oral, corticoide para a maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para GBS.
  2. B) Iniciar tocólise venosa, corticoide para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para GBS.
  3. C) Antibioticoprofilaxia para GBS, corticoide para maturação pulmonar fetal, acompanhamento do trabalho de parto.
  4. D) Conduta expectante, antibioticoterapia de latência e corticoide para maturação pulmonar fetal.

Pérola Clínica

RPMO + TPP < 34 semanas + dilatação avançada → Corticoide, GBS profilaxia, manejo do parto.

Resumo-Chave

Em caso de trabalho de parto prematuro com ruptura prematura de membranas (RPMO) antes de 34 semanas e dilatação cervical avançada, a prioridade é a maturação pulmonar fetal com corticoide e a profilaxia para Streptococcus agalactiae (GBS). A tocólise pode ser contraindicada ou ineficaz com dilatação de 4cm, focando-se no acompanhamento do parto.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP), definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal. A ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO), que é a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto, complica cerca de 3% das gestações e é um fator de risco significativo para TPP, infecção intra-amniótica e hipoplasia pulmonar fetal em casos de RPMO muito precoce. O manejo do TPP com RPMO depende da idade gestacional e da presença de infecção. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta inclui a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para GBS (Streptococcus agalactiae) devido ao risco de sepse neonatal, e acompanhamento rigoroso. A tocólise, que visa inibir as contrações e prolongar a gestação, é geralmente considerada quando a dilatação cervical é menor que 4 cm e não há contraindicações, permitindo tempo para a ação dos corticoides. No caso apresentado, com 32 semanas e dilatação de 4cm, o trabalho de parto está avançado, tornando a tocólise menos eficaz ou desnecessária. A prioridade é garantir a maturação pulmonar fetal e prevenir a infecção neonatal. Portanto, a administração de corticoide e a antibioticoprofilaxia para GBS são medidas essenciais, seguidas pelo acompanhamento do trabalho de parto, visando um parto seguro para mãe e feto, minimizando os riscos associados à prematuridade e à RPMO.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do corticoide na RPMO e trabalho de parto prematuro?

O corticoide (betametasona ou dexametasona) é crucial para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em partos prematuros antes de 34 semanas.

Quando a antibioticoprofilaxia para GBS é indicada em trabalho de parto prematuro?

A profilaxia para GBS é indicada em trabalho de parto prematuro com membranas íntegras antes de 37 semanas, ou em qualquer idade gestacional na presença de RPMO, cultura positiva para GBS na gestação atual, bacteriúria por GBS ou histórico de filho com doença invasiva por GBS.

Em que situações a tocólise é contraindicada ou menos eficaz?

A tocólise é contraindicada em casos de corioamnionite, sofrimento fetal, sangramento vaginal ativo, pré-eclâmpsia grave, e dilatação cervical avançada (geralmente > 4-6 cm), onde o trabalho de parto é considerado irreversível ou muito avançado para ser efetivamente inibido.

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