USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Secundigesta, primípara, 28 anos de idade, 34 semanas e 3 dias, procura pronto atendimento com queixa de contrações e dor em baixo ventre. Ao exame clínico: bom estado geral, afebril, PA: 110x70 mmHg, altura uterina: 33 cm, FCF: 144 bpm, dinâmica uterina presente (3/10min/fortes). Ao exame de toque: colo grosso, posterior, pérvio para 2 cm, apresentação cefálica, dorso à esquerda. No pré-natal não foi detectada nenhuma comorbidade e o crescimento fetal era normal. Cardiotocografia categoria 1.a) Qual é a hipótese diagnóstica desta paciente? b) Nesse caso, qual é ou são a (s) conduta (s)? Informe uma opção terapêutica para cada conduta proposta.
DU regular + apagamento/dilatação cervical < 37 sem = Trabalho de Parto Prematuro.
O diagnóstico de TPP baseia-se na presença de contrações uterinas regulares associadas a modificações cervicais significativas. A conduta foca em postergar o parto para permitir a maturação pulmonar fetal.
O trabalho de parto prematuro é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A fisiopatologia envolve a ativação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fetal, inflamação/infecção ou distensão uterina excessiva. O manejo clínico visa equilibrar a necessidade de postergar o nascimento para garantir a maturidade pulmonar com a segurança materna e fetal. Na prática, a identificação de fatores de risco e o uso criterioso de tocolíticos e corticoides são pilares da obstetrícia moderna. É fundamental que o residente saiba diferenciar o falso trabalho de parto (contrações de Braxton-Hicks) do TPP verdadeiro para evitar intervenções desnecessárias e hospitalizações prolongadas.
O diagnóstico de trabalho de parto prematuro (TPP) é clínico e baseia-se na presença de contrações uterinas regulares (pelo menos 2 em 10 minutos ou 4 em 20 minutos) associadas a modificações cervicais progressivas, como dilatação maior ou igual a 2 cm ou apagamento cervical maior que 80%, ocorrendo entre 22 e 37 semanas de gestação. Em casos duvidosos, a medida do colo uterino por ultrassonografia transvaginal e a pesquisa de fibronectina fetal podem auxiliar na predição do risco de parto iminente.
A tocolise está indicada em gestações entre 24 e 34 semanas com diagnóstico de TPP, com o objetivo principal de postergar o parto por 48 horas. Esse tempo é crucial para a administração completa do ciclo de corticoterapia antenatal e, se necessário, para a transferência da gestante para um centro de referência com UTI neonatal. Os fármacos mais utilizados incluem os bloqueadores dos canais de cálcio (nifedipina) e os antagonistas da ocitocina (atosiban).
A corticoterapia antenatal é indicada entre 24 e 34 semanas de gestação para reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante no recém-nascido. Os esquemas recomendados são a Betametasona (12 mg, IM, a cada 24 horas, por 2 doses) ou a Dexametasona (6 mg, IM, a cada 12 horas, por 4 doses). O benefício máximo ocorre entre 24 horas e 7 dias após a primeira dose.
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