UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
G.A.K., 24 anos, G1P0A0, idade gestacional de 33 semanas, comparece à urgência obstétrica com intensa dor em baixo ventre irradiando para região lombar. Fala que as dores são de forma rítmica e que a intensidade só faz aumentar. Ao exame físico: altura uterina de 30 cm, BCF: 145 bpm, tônus uterino normal, movimentação fetal ativa, dinâmica uterina presente: 3 contrações moderadas em 10 minutos, ao toque vaginal: colo amolecido, intermediário, esvaecido em 10%, pérvio para 3 cm, bolsa íntegra, apresentação cefálica, alta e móvel. Nesse caso, a melhor conduta a ser realizada é
Trabalho de parto prematuro (33 sem): Internar + Tocolítico + Corticoide + ATB (GBS) + Pesquisa infecção.
A paciente apresenta trabalho de parto prematuro (33 semanas, contrações rítmicas, dilatação cervical). A conduta inclui internação, tocolíticos para inibir as contrações, corticosteroides para maturação pulmonar fetal, pesquisa de infecção materna e administração de penicilina cristalina para profilaxia de Estreptococo do Grupo B (GBS), essencial para reduzir a morbimortalidade neonatal.
O trabalho de parto prematuro (TPP), definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal. A identificação e o manejo adequados são cruciais para melhorar os resultados perinatais. A etiologia é multifatorial, incluindo infecções, insuficiência cervical, gestações múltiplas e fatores socioeconômicos. A paciente em questão, com 33 semanas, contrações rítmicas e dilatação cervical, preenche os critérios para TPP. A conduta no TPP visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal e a administração de intervenções que melhorem o prognóstico neonatal. Isso inclui a internação da paciente para monitoramento e intervenções. Os tocolíticos são utilizados para inibir as contrações uterinas, ganhando tempo para a administração completa dos corticosteroides e, se necessário, o transporte para um centro com UTI neonatal. Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são essenciais para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir outras complicações da prematuridade. Além disso, a pesquisa de infecção materna é fundamental, pois infecções podem ser a causa do TPP. A profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) com penicilina cristalina é indicada em TPP com status de GBS desconhecido ou positivo, para prevenir a sepse neonatal. Para residentes, é vital dominar a avaliação clínica, a indicação e contraindicação dos tocolíticos, a administração de corticoides e a profilaxia de GBS, bem como a consideração de sulfato de magnésio para neuroproteção em gestações mais precoces, garantindo um manejo abrangente e otimizado para a mãe e o feto prematuro.
O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e progressivas (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) associadas a alterações cervicais (dilatação de 2 cm ou mais, ou esvaecimento de 80% ou mais) entre 20 e 36 semanas e 6 dias de gestação.
Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são cruciais para a maturação pulmonar fetal, reduzindo significativamente a incidência e a gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em bebês prematuros.
A penicilina cristalina é administrada para profilaxia de infecção neonatal por Estreptococo do Grupo B (GBS) em casos de trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ou status de GBS desconhecido. O objetivo é prevenir a sepse neonatal precoce, uma complicação grave em prematuros.
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