HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Primigesta com 30 semanas de gestação é internada em franco trabalho de parto. Ao exame: pressão arterial de 120/80 mmHg, 4 contrações em 10 minutos, bcf de 155 bpm, toque vaginal com colo fino, 8 cm de dilatação, apresentação cefálica e bolsa íntegra. São condutas adequadas para o caso, EXCETO:
Trabalho de parto prematuro avançado (>4-5cm) → Tocólise e corticoide sem tempo hábil são contraindicados.
Em trabalho de parto prematuro com dilatação cervical avançada (8 cm), a tocólise é contraindicada, pois o parto é iminente e a inibição não seria eficaz. A corticoterapia, embora indicada para maturação pulmonar fetal, necessita de um tempo mínimo (geralmente 24-48h) para agir, o que não seria possível neste cenário de parto ativo e avançado.
O manejo do trabalho de parto prematuro (TPP) é um desafio obstétrico, sendo a principal causa de morbimortalidade neonatal. A conduta depende da idade gestacional, da fase do trabalho de parto e da presença de contraindicações. Em gestações entre 24 e 34 semanas, as principais intervenções visam prolongar a gestação para permitir a administração de corticoesteroides para maturação pulmonar fetal e, em alguns casos, sulfato de magnésio para neuroproteção fetal. No entanto, quando o trabalho de parto está em fase avançada, com dilatação cervical significativa (como 8 cm no caso), a tocólise (inibição das contrações) torna-se ineficaz e contraindicada, pois o parto é iminente. Nesses cenários, o foco muda para o manejo do parto e a preparação para o nascimento do prematuro. A corticoterapia, apesar de crucial, requer um período mínimo de 24-48 horas para atingir seu efeito máximo, o que não seria possível em um parto tão avançado. Portanto, a decisão de não realizar tocólise e corticoterapia em um trabalho de parto prematuro avançado é baseada na falta de eficácia e tempo hábil para as intervenções. Outras condutas como a antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B (se indicado) e a ausculta intermitente dos batimentos cardiofetais são adequadas. A episiotomia, por sua vez, não é uma conduta de rotina e deve ser avaliada individualmente, não sendo uma medida para 'evitar tocotraumatismo' de forma indiscriminada.
A tocólise é contraindicada em casos de dilatação cervical avançada (geralmente >4-5 cm), sofrimento fetal, corioamnionite, descolamento prematuro de placenta, hemorragia ativa e condições maternas que impeçam a prolongação da gestação.
A corticoterapia pré-natal (betametasona ou dexametasona) tem como objetivo acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em prematuros.
O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em gestações <32 semanas, reduzindo o risco de paralisia cerebral em recém-nascidos prematuros, e não como tocolítico primário nesse contexto.
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