Trabalho de Parto Prematuro: Conduta em 34 Semanas e 5 Dias

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 28a, G1P0A0, com idade gestacional de 34 semanas e 5 dias, chega à Maternidade com queixa de dor em baixo ventre em cólica há 6 horas com piora progressiva, saída de secreção mucosa da vagina e boa movimentação fetal. Antecedente Gestacional: diabetes gestacional controlada com dieta. Exame físico: FC= 90 bpm, FR=18 irpm, T= 36,5°C; exame ginecológico: altura uterina de 32 cm, 2 contrações de 40 segundos em 10 minutos, Batimentos Cardiofetais= 140 bpm; Toque vaginal: colo uterino 100% esvaecido, 4 cm de dilatação, apresentação cefálica, bolsa íntegra. ALÉM DA INTERNAÇÃO E TRIAGEM INFECCIOSA, A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Corticoide para maturação pulmonar fetal e inibição do trabalho de parto por 48 horas.
  2. B) Sulfato de magnésio para neuro proteção fetal e inibição do trabalho de parto por 48 horas.
  3. C) Antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B e inibição do trabalho de parto por 48 horas.
  4. D) Antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B e assistência ao trabalho de parto

Pérola Clínica

TPP <34s5d com dilatação 4cm: não inibir, ATB GBS, sulfato Mg neuroproteção, corticoide se não fez.

Resumo-Chave

Em trabalho de parto prematuro com dilatação avançada (4 cm) e idade gestacional de 34 semanas e 5 dias, a inibição do parto não é a conduta prioritária. A prioridade é a antibioticoprofilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) e a neuroproteção fetal com sulfato de magnésio, além da assistência ao parto. Corticoides para maturação pulmonar já teriam seu benefício reduzido ou completo nessa IG.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, e a conduta depende da idade gestacional, da dilatação cervical e da presença de fatores de risco. A avaliação inicial inclui a idade gestacional, vitalidade fetal, exame cervical e pesquisa de infecções. A fisiopatologia do TPP é multifatorial, envolvendo inflamação, infecção, estresse uterino e fatores genéticos. O diagnóstico é feito pela presença de contrações uterinas regulares e progressivas, associadas a modificações cervicais (esvaecimento e dilatação). A idade gestacional de 34 semanas e 5 dias é um ponto crucial, pois a partir de 34 semanas, o benefício da tocolise para prolongar a gestação e o uso de corticoides para maturação pulmonar diminui significativamente. Nesse cenário, a conduta foca na proteção fetal e na preparação para o parto. A antibioticoprofilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é essencial para prevenir a sepse neonatal. A neuroproteção fetal com sulfato de magnésio é indicada em gestações até 34 semanas e 6 dias. A inibição do trabalho de parto (tocolise) geralmente não é recomendada com dilatação cervical avançada ou em idades gestacionais mais tardias, onde os riscos superam os benefícios. A assistência ao parto deve ser realizada em ambiente adequado para o recém-nascido prematuro.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de corticoide para maturação pulmonar fetal no trabalho de parto prematuro?

Corticoides (betametasona ou dexametasona) são indicados para maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas e 6 dias, com risco de parto prematuro nas próximas 7 dias. Após 34 semanas e 6 dias, o benefício é menor e geralmente não é recomendado de rotina.

Por que o sulfato de magnésio é utilizado na neuroproteção fetal?

O sulfato de magnésio é administrado para neuroproteção fetal em partos prematuros antes de 32 semanas, e pode ser considerado até 34 semanas e 6 dias, pois reduz o risco de paralisia cerebral e outras disfunções neurológicas em recém-nascidos prematuros.

Quando é indicada a antibioticoprofilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) no trabalho de parto prematuro?

A antibioticoprofilaxia para GBS é indicada em todas as gestantes com trabalho de parto prematuro ou ruptura prematura de membranas, se o status de GBS for desconhecido ou positivo, para prevenir a sepse neonatal precoce.

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