PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
M. A. S., 20 anos, primigesta, gestação de 33 semanas, referindo dor em baixo ventre, procura maternidade para ser avaliada. O exame obstétrico demonstra duas contrações a cada 10 minutos, regulares, mesmo após período de repouso. Toque vaginal demonstra colo uterino amolecido, pérvio para 3 cm de dilatação, apresentação cefálica, bolsa amniótica íntegra, batimento cardíaco fetal de 140 e tensão arterial de 120x80 mmHg, sem outras queixas. A paciente foi internada. A hipótese diagnóstica e o tratamento medicamentoso são, respectivamente:
TPP = contrações regulares + modificação cervical <37 sem. Tocolítico de escolha: Nifedipino.
A paciente apresenta critérios para trabalho de parto prematuro (idade gestacional <37 semanas, contrações uterinas regulares e modificações cervicais). O nifedipino é um tocolítico de primeira linha, eficaz e seguro para inibir as contrações e prolongar a gestação, permitindo a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal.
O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido pela ocorrência de contrações uterinas regulares que resultam em modificações cervicais (dilatação e/ou esvaecimento) antes de 37 semanas completas de gestação. É a principal causa de morbimortalidade neonatal, sendo responsável por complicações como síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais para melhorar o prognóstico fetal. O diagnóstico de TPP baseia-se na idade gestacional, na presença de contrações uterinas efetivas e na avaliação do colo uterino. A paciente em questão, com 33 semanas, contrações regulares e dilatação cervical de 3 cm, preenche esses critérios. A conduta inicial visa inibir as contrações (tocólise), permitir a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, o transporte para um centro com UTI neonatal. Entre os tocolíticos, o nifedipino (bloqueador de canais de cálcio) é uma das opções de primeira linha, devido à sua eficácia, segurança e via de administração oral. Outros tocolíticos incluem os beta-agonistas (terbutalina), antagonistas dos receptores de ocitocina (atosiban) e inibidores da síntese de prostaglandinas (indometacina), sendo este último geralmente evitado após 32 semanas devido ao risco de fechamento prematuro do ducto arterioso fetal. O sulfato de magnésio é utilizado principalmente para neuroproteção fetal em gestações <32 semanas, mas também possui efeito tocolítico secundário.
Os critérios incluem idade gestacional entre 20 e 36 semanas e 6 dias, presença de contrações uterinas regulares (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) e modificações cervicais (dilatação ≥2 cm ou esvaecimento ≥80%).
O nifedipino é um bloqueador dos canais de cálcio que atua relaxando a musculatura uterina, sendo eficaz na inibição das contrações, com bom perfil de segurança para mãe e feto, e fácil administração oral.
A administração de corticoides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal é crucial, pois reduz significativamente a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal e outras complicações da prematuridade.
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