Trabalho de Parto Prematuro: Conduta em 32 Semanas

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Gestante primigesta com 32 semanas e 6 dias dá entrada no pronto-socorro com queixa de dor em baixo ventre. Ao exame: PA 120 x 80 mmHg, AU 30 cm, DU 2/30”/10’, BCF de 140 bpm. Toque vaginal: colo 80% esvaecido, 4 cm, cefálico, bolsa íntegra, alto e móvel. A melhor conduta é: 

Alternativas

  1. A) reavaliação em 2 horas para avaliar progressão do trabalho de parto.
  2. B) internação a fim de solicitação de exames para infecção e avaliação da vitalidade fetal.
  3. C) internação para assistência e condução do trabalho de parto.
  4. D) internação para uso de tocolíticos e corticoprofilaxia.
  5. E) corticoprofilaxia e sulfatação pela prematuridade extrema.

Pérola Clínica

Gestação <34 semanas com trabalho de parto prematuro (dilatação cervical) → Tocolíticos + Corticoprofilaxia + Sulfato de Magnésio (neuroproteção).

Resumo-Chave

Uma gestante com 32 semanas e 6 dias em trabalho de parto prematuro (dilatação cervical e contrações efetivas) requer internação para tentar inibir o parto (tocolíticos), acelerar a maturidade pulmonar fetal (corticoides) e oferecer neuroproteção (sulfato de magnésio), dada a idade gestacional.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP), definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal. O manejo adequado é crucial para otimizar os resultados maternos e neonatais. A identificação precoce e a intervenção oportuna são pilares da conduta. No caso de uma gestante com 32 semanas e 6 dias em TPP com modificações cervicais, a conduta inicial envolve a internação hospitalar para monitorização e intervenções. A primeira linha de ação é a tentativa de inibição do trabalho de parto com tocolíticos (como nifedipino, terbutalina ou atosiban), visando prolongar a gestação por pelo menos 48 horas. Este período é essencial para a administração da corticoprofilaxia. A corticoprofilaxia (geralmente betametasona ou dexametasona) é indicada para gestantes entre 24 e 34 semanas com risco de parto prematuro, pois acelera a maturidade pulmonar fetal e reduz a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal e outras complicações. Além disso, para gestações entre 24 e 32 semanas e 6 dias, o sulfato de magnésio é administrado para neuroproteção fetal, diminuindo o risco de paralisia cerebral. A avaliação contínua da vitalidade fetal e a preparação para o parto prematuro são componentes essenciais do plano de cuidados.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de trabalho de parto prematuro?

O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e efetivas (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) acompanhadas de modificações cervicais progressivas, como esvaecimento de 80% ou mais e dilatação cervical de 2 cm ou mais, antes de 37 semanas de gestação.

Qual a indicação e o benefício da corticoprofilaxia na prematuridade?

A corticoprofilaxia (com betametasona ou dexametasona) é indicada para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de gestação. Seu benefício principal é acelerar a maturidade pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.

Quando o sulfato de magnésio é utilizado no trabalho de parto prematuro?

O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações entre 24 e 32 semanas e 6 dias, quando o parto é iminente. Ele demonstrou reduzir o risco de paralisia cerebral e disfunção motora grave em recém-nascidos prematuros.

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