Trabalho de Parto Prematuro: Conduta em 33 Semanas

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Primigesta, 30 anos, com idade gestacional de 33 semanas e 3 dias. Pré-natal de risco habitual e sem intercorrências. Procura a maternidade com queixa de cólicas abdominais intermitentes, a cada 10 minutos acompanhada de eliminação de muco pela vagina. Nega sangramentos ou perdas líquidas. Sem outras queixas. Ao exame: sinais vitais normais. Obstétrico: 2 contrações moderadas de 30 segundos em 10 minutos; frequência cardíaca fetal de 140 bpm, sem desacelerações. Toque vaginal: colo dilatado 4 cm, esvaecido 50%, centrando, com bolsa palpável e apresentação cefálica, alta e móvel. Qual é a melhor opção de conduta para a gestante?

Alternativas

  1. A) Tocólise, corticosteroide e profilaxia antibiótica.
  2. B) Sulfato de magnésio e assistência ao parto.
  3. C) Reavaliar em 2 horas após hiperidratação materna.
  4. D) Ultrassonografia imediata para medida do colo uterino.

Pérola Clínica

Trabalho de parto prematuro (33s+3d, 4cm dilatação) → Tocólise, Corticoide (maturação pulmonar), ATB (GBS).

Resumo-Chave

A gestante apresenta trabalho de parto prematuro ativo (dilatação cervical de 4 cm e contrações regulares) com idade gestacional de 33 semanas e 3 dias. A conduta ideal visa prolongar a gestação para permitir a maturação pulmonar fetal com corticosteroide, inibir as contrações com tocólise e iniciar profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) devido ao risco de parto prematuro.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro, definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os desfechos neonatais. A idade gestacional de 33 semanas e 3 dias coloca o feto em uma zona de risco intermediário, onde intervenções podem fazer uma diferença significativa. A conduta inicial em casos de trabalho de parto prematuro ativo, como o descrito (dilatação de 4 cm), envolve três pilares principais: tocólise, maturação pulmonar e profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS). A tocólise visa inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação por pelo menos 48 horas, tempo necessário para que os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) exerçam seu efeito na maturação pulmonar fetal. A profilaxia antibiótica para GBS é essencial, pois o parto prematuro aumenta o risco de sepse neonatal por essa bactéria. O sulfato de magnésio, embora importante para neuroproteção, é geralmente reservado para gestações mais precoces (antes de 32 semanas). A reavaliação após hiperidratação ou ultrassonografia para medida do colo seriam condutas insuficientes ou tardias diante de uma dilatação já estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de trabalho de parto prematuro?

O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e modificações cervicais progressivas (dilatação e esvaecimento) antes de 37 semanas de gestação.

Por que o corticosteroide é indicado no trabalho de parto prematuro?

O corticosteroide (betametasona ou dexametasona) é administrado para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.

Quando o sulfato de magnésio é utilizado no trabalho de parto prematuro?

O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações com risco de parto prematuro muito precoce, geralmente antes de 32 semanas, para reduzir o risco de paralisia cerebral.

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