Trabalho de Parto Prematuro: Diagnóstico e Conduta Ideal

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 22 anos, G1, idade gestacional de 35 semanas e 6 dias, sem comorbidades, com pré-natal realizado com 6 consultas e sem intercorrências, procura atendimento na maternidade por dores abdominais com início há 4 horas, mas apresentando intensificação na última hora. Ao exame físico o médico identifica altura uterina de 32 cm, feto com apresentação cefálica e contrações uterinas com duração superior a 40 segundos e frequência de 4 a cada 10 minutos. Os batimentos cardíacos fetais estão regulares em linha de base de 130 bpm. Ao fim do exame físico a gestante lembra-se de contar que perdeu líquido pela vagina em grande quantidade logo após as dores abdominais terem iniciado. O médico opta por realizar um exame especular e evidência líquido coletado no fundo vaginal, próximo ao colo uterino. O líquido tem aspecto translúcido e contém alguns grumos brancos escassos e apresentou pH de 6,7 ao teste. O exame de toque vaginal foi realizado no qual observou-se colo uterino fino, encurtado, com dilatação de 8 cm, sem bolsa amniótica palpável, com apresentação cefálica em De Lee +1. Diante do caso descrito, o médico assistente avalia os dados coletados para obter um diagnóstico e tomar uma conduta. As alternativas abaixo contêm uma opção de diagnóstico e conduta. Qual das alternativas relaciona as melhores opções de diagnóstico e conduta?

Alternativas

  1. A) Trabalho de Parto Prematuro com amniorrexe; internar, iniciar profilaxia para GBS e aguardar evolução do parto.
  2. B) Trabalho de Parto Prematuro sem amniorrexe; internar, iniciar tocólise e corticomaturação pulmonar.
  3. C) Trabalho de Parto Prematuro com amniorrexe; internar e aguardar a evolução do parto com realização rotineira de episiotomia mediolateral direita.
  4. D) Trabalho de Parto Prematuro com amniorrexe; internar e realizar cesariana de emergência.
  5. E) Falso Trabalho de Parto Prematuro; dar alta domiciliar com orientações e uso de antiespasmódicos.

Pérola Clínica

Gestante >34 semanas com TPP e amniorrexe → internar, profilaxia GBS, aguardar parto.

Resumo-Chave

A gestante apresenta trabalho de parto prematuro avançado (dilatação 8 cm) com ruptura prematura de membranas (amniorrexe), evidenciada pela perda de líquido e pH vaginal de 6,7. Como a idade gestacional é de 35 semanas e 6 dias, a tocólise e corticoterapia não são indicadas, e a conduta é internar, iniciar profilaxia para GBS e aguardar a evolução do parto vaginal.

Contexto Educacional

O Trabalho de Parto Prematuro (TPP) é definido como o trabalho de parto que ocorre antes de 37 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A ruptura prematura de membranas (RPMO) é uma condição comum que pode precipitar o TPP, e seu diagnóstico precoce é fundamental para a conduta adequada. No caso descrito, a gestante está com 35 semanas e 6 dias, o que a coloca em um cenário de prematuridade tardia. Com dilatação de 8 cm e apresentação cefálica em De Lee +1, o parto é iminente. A presença de amniorrexe (confirmada por perda de líquido e pH) exige atenção especial à profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS), para prevenir sepse neonatal. A conduta para TPP varia conforme a idade gestacional. Entre 24 e 34 semanas, a tocólise e a corticoterapia para maturação pulmonar fetal são indicadas. Após 34 semanas, especialmente com trabalho de parto avançado e/ou RPMO, a conduta geralmente é expectante para o parto, com foco na profilaxia de GBS. A cesariana de emergência não é indicada rotineiramente, a menos que haja sofrimento fetal ou outras complicações obstétricas. Episiotomia rotineira não é recomendada.

Perguntas Frequentes

Quando a tocólise e a corticoterapia são indicadas no trabalho de parto prematuro?

A tocólise é indicada para prolongar a gestação e permitir a corticoterapia, que é administrada entre 24 e 34 semanas de gestação para acelerar a maturação pulmonar fetal. Após 34 semanas, os benefícios são limitados.

Qual a importância da profilaxia para GBS em caso de amniorrexe?

A profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é crucial em casos de ruptura prematura de membranas, independentemente da idade gestacional, para prevenir a infecção neonatal por GBS, que pode ser grave.

Como confirmar a ruptura prematura de membranas?

A ruptura prematura de membranas pode ser confirmada por exame especular (visualização de líquido no fundo vaginal), teste de pH (líquido amniótico é alcalino, pH > 6,5) e/ou teste de cristalização (fern test).

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