Trabalho de Parto Prematuro: Manejo e Medicações Essenciais

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 27,3 semanas, GII PI A0, informa que na gestação anterior teve parto normal na 28ª semana. Chega à maternidade apresentando 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos. Altura uterina = 26 cm. Batimento cardíaco fetal = 140 bpm. Colo dilatado 2 cm, apagado, apresentação cefálica, bolsa íntegra. Cardiotocografia mostrando feto com boa vitalidade. Assinale a alternativa que apresenta a melhor opção de medicações que devem ser iniciadas imediatamente para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Clindamicina, atosiban, progesterona.
  2. B) A Penicilina cristalina, nifedipina, betametasona.
  3. C) Penicilina cristalina, nifedipina, sulfato de magnésio.
  4. D) Ampicilina, terbutalina, progesterona.
  5. E) Ampicilina, atosiban, sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

Trabalho de parto prematuro <34 semanas → Corticoide (maturação pulmonar), Tocólise (Nifedipina), ATB (GBS).

Resumo-Chave

Esta paciente apresenta trabalho de parto prematuro (idade gestacional < 37 semanas, contrações regulares e modificações cervicais). A conduta inclui corticoide para maturação pulmonar fetal (betametasona), tocólise para inibir as contrações (nifedipina) e profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) devido ao risco de parto iminente e idade gestacional.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação e é a principal causa de morbimortalidade neonatal. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os resultados perinatais. Fatores de risco incluem história de parto prematuro anterior, gestação múltipla, infecções e anomalias uterinas. O manejo do TPP envolve uma abordagem multifacetada. A tocólise, com agentes como a nifedipina (bloqueador de canal de cálcio), é utilizada para inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação, permitindo a administração de corticoides e, se necessário, a transferência para um centro de maior complexidade. A nifedipina é preferida por seu perfil de segurança e eficácia. A administração de corticoides (betametasona ou dexametasona) é fundamental para a maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas, reduzindo significativamente a síndrome do desconforto respiratório neonatal. Além disso, a profilaxia antibiótica com penicilina cristalina ou ampicilina é indicada para gestantes com TPP e risco de infecção por Estreptococo do Grupo B (GBS), especialmente se o status de GBS for desconhecido ou positivo, para prevenir sepse neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de trabalho de parto prematuro?

O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e efetivas (pelo menos 3 contrações em 30 minutos) que causam modificações cervicais (dilatação cervical de 2 cm ou mais, ou esvaecimento cervical de 80% ou mais) antes de 37 semanas de gestação.

Por que a betametasona é administrada no trabalho de parto prematuro?

A betametasona é um corticoide administrado para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e a gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em bebês prematuros.

Quando a profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é indicada no trabalho de parto prematuro?

A profilaxia para GBS é indicada em gestantes com trabalho de parto prematuro quando o status de GBS é desconhecido ou positivo, ou em casos de ruptura prematura de membranas, para prevenir a transmissão vertical da bactéria ao recém-nascido.

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