Trabalho de Parto Prematuro: Diagnóstico e Conduta

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 25 anos, 3G:2PN, chega ao pronto-socorro referindo dor em hipogástrio há 3 horas. Hoje com 33 semanas e 2 dias de gestação. Ao exame clínico: PA 113x76 mmHg, FC 74 bpm, presença de duas contrações uterinas por 10 minutos de fraca intensidade. Toque vaginal com colo grosso, posterior, pérvio para 3 cm, apresentação cefálica alta e móvel.Após analgesia, refere melhora das dores. Foi feita uma reavaliação do exame obstétrico que não demonstrou evolução do colo uterino, permanecendo com a mesma dilatação. Realiza a cardiotocografia apresentada. Com relação ao caso apresentado acima, qual é a conduta clínica nesse momento? 

Alternativas

  1. A) internar a paciente para inibir trabalho de parto prematuro. \n
  2. B) manter vigilância no Pronto-Socorro por mais 6 horas. 
  3. C) liberar a paciente para casa com orientação de sinais de alarme.
  4. D) solicitar nova vitalidade em 48 horas.

Pérola Clínica

Sem evolução cervical + melhora da dor = Falso Trabalho de Parto → Alta.

Resumo-Chave

O diagnóstico de trabalho de parto exige contrações regulares E modificações cervicais progressivas. Na ausência de evolução, a conduta é expectante.

Contexto Educacional

A diferenciação entre falso trabalho de parto e trabalho de parto prematuro (TPP) é crucial na prática obstétrica para evitar internações desnecessárias, uso indevido de tocolíticos e corticoides. O TPP ocorre entre 22 e 36 semanas e 6 dias. No caso apresentado, a paciente de 33 semanas possuía dilatação inicial de 3 cm, mas sem progressão após observação e com melhora da dor, o que descaracteriza o trabalho de parto ativo. A cardiotocografia normal e a estabilidade clínica permitem a alta segura. É fundamental orientar a gestante sobre a percepção de contrações rítmicas, perda de líquido amniótico ou redução da movimentação fetal como critérios de retorno. Em casos de dúvida diagnóstica em prematuros limítrofes, a medida do colo uterino por ultrassonografia transvaginal ou o teste da fibronectina fetal podem auxiliar na predição do risco de parto em 7 dias.

Perguntas Frequentes

Como diagnosticar trabalho de parto prematuro?

O diagnóstico clínico de trabalho de parto prematuro (TPP) requer a presença de contrações uterinas rítmicas e regulares (pelo menos 2 em 10 minutos) associadas a modificações cervicais progressivas, como apagamento e dilatação (geralmente ≥ 3 cm ou mudança documentada em exame subsequente).

O que define o falso trabalho de parto?

O falso trabalho de parto, ou contrações de Braxton-Hicks, caracteriza-se por contrações irregulares, de curta duração, que não aumentam de intensidade e, crucialmente, não provocam esvaecimento ou dilatação do colo uterino após um período de observação clínica (geralmente 1 a 2 horas).

Qual a conduta na ausência de evolução cervical?

Se a paciente apresenta dinâmica uterina que cede com analgesia ou repouso, e a reavaliação do toque vaginal não demonstra progressão da dilatação ou apagamento, a conduta correta é a alta hospitalar com orientações claras sobre sinais de alarme para retorno imediato.

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