Dor Abdominal na Gestação: Pródromos ou Parto Prematuro?

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Primigesta de 32 semanas procura a maternidade com queixa de dor no baixo ventre há 8 horas, sem queixas urinárias. Exame físico: AU = 30 cm, apresentação cefálica, foco 144 bpm, DU de 1 contração de 20” em 20 minutos; toque: colo uterino grosso, posterior e impérvio, com apresentação alta e móvel. Qual é a mais adequada conduta?

Alternativas

  1. A) Coletar cultura de estreptococo do grupo B, prescrever corticoide e nifedipina.
  2. B) Coletar cultura de estreptococo do grupo B, prescrever antibiótico, corticoide e atosiban.
  3. C) Ampliar o período de observação, monitorar a evolução da dinâmica uterina e das condições cervicais.
  4. D) Liberar a gestante e prescrever progesterona natural micronizada e antiespasmódico.

Pérola Clínica

Contrações uterinas em gestante < 37 semanas, com colo impérvio e sem modificação cervical → observar e reavaliar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta contrações uterinas irregulares (1 em 20 minutos) e dor, mas o colo uterino está grosso, posterior e impérvio, sem sinais de modificação cervical. Isso sugere pródromos de parto ou contrações de Braxton Hicks, não um trabalho de parto prematuro estabelecido. A conduta mais adequada é a observação e reavaliação.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro é definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação. É a principal causa de morbimortalidade neonatal, sendo crucial o diagnóstico precoce e preciso para a implementação de medidas que possam melhorar o prognóstico fetal, como a corticoterapia para maturação pulmonar e a tocolise. No entanto, nem toda contração uterina em gestantes pré-termo significa trabalho de parto prematuro. Muitas mulheres experimentam contrações uterinas irregulares, conhecidas como contrações de Braxton Hicks ou pródromos de parto, que não resultam em modificação cervical. A distinção entre essas condições é fundamental para evitar intervenções desnecessárias e seus potenciais riscos. A avaliação inicial de uma gestante com queixa de dor abdominal e contrações deve incluir a monitorização da dinâmica uterina e o exame do colo uterino para verificar sua dilatação e apagamento. No caso apresentado, a presença de apenas uma contração em 20 minutos e, mais importante, um colo uterino grosso, posterior e impérvio, indica que não há trabalho de parto prematuro estabelecido. A conduta mais prudente é a observação em ambiente hospitalar por um período, monitorando a evolução da dinâmica uterina e realizando reavaliações cervicais. Se o colo permanecer inalterado e as contrações não se tornarem regulares e efetivas, a gestante pode ser liberada com orientações. Intervenções como tocolíticos e corticoide são reservadas para casos de trabalho de parto prematuro confirmado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de trabalho de parto prematuro?

O trabalho de parto prematuro é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e efetivas (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) que resultam em modificações cervicais (apagamento ≥ 80% ou dilatação ≥ 2 cm) antes de 37 semanas de gestação.

Como diferenciar contrações de Braxton Hicks de contrações de trabalho de parto?

As contrações de Braxton Hicks são geralmente irregulares, indolores ou pouco dolorosas, não aumentam em intensidade ou frequência e não causam modificação cervical. As contrações de trabalho de parto são regulares, progressivas em intensidade e frequência, e levam a alterações no colo uterino.

Quando é indicada a internação e o uso de tocolíticos e corticoide em uma gestante com contrações?

A internação e o tratamento com tocolíticos (para inibir as contrações) e corticoide (para maturação pulmonar fetal) são indicados quando há diagnóstico de trabalho de parto prematuro estabelecido, ou seja, contrações regulares com modificação cervical, em gestações entre 24 e 34 semanas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo