FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020
G2P1N, gestação gemelar dicoriônica/diamniótica, idade gestacional de 30 semanas, sem complicações até o momento. Procura o pronto-socorro com queixa de dores tipo contração. Ao exame: BEG, afebril, PA 130 x 80 mmHg, pulso 100 bpm, AU de 34 cm, DU presente 2/30”/10`, tônus normal, BCF 144 e 150 bpm, TV com colo 70% esvaecido, 4 cm, bolsa íntegra, primeiro feto pélvico, alto e móvel. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.
Trabalho de parto prematuro em gestação gemelar 30 semanas → Tocolítico (nifedipina), corticoprofilaxia e antibioticoprofilaxia.
A paciente apresenta trabalho de parto prematuro (30 semanas, colo 4 cm, contrações). Em gestações gemelares, o risco de prematuridade é maior. A conduta inclui tocolíticos para inibir as contrações (nifedipina é segura e eficaz), corticoides para maturação pulmonar fetal (betametasona ou dexametasona) e antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B, se o status for desconhecido ou positivo.
O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação e é a principal causa de morbimortalidade neonatal. Em gestações gemelares, o risco de TPP é significativamente maior devido à distensão uterina excessiva e outros fatores. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar os resultados perinatais. A fisiopatologia do TPP é multifatorial, envolvendo inflamação, infecção, estresse uterino e fatores hormonais. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de contrações uterinas regulares e alterações cervicais progressivas (esvaecimento e dilatação). No caso apresentado, a paciente com 30 semanas, colo 70% esvaecido e 4 cm de dilatação, com contrações regulares, está em TPP. A conduta no TPP em gestação gemelar de 30 semanas inclui a tocolise para inibir as contrações e prolongar a gestação (permitindo a administração de corticoides), a corticoprofilaxia para acelerar a maturidade pulmonar fetal (com betametasona ou dexametasona) e a antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B, se indicada. A nifedipina é um tocolítico de primeira linha. O objetivo é ganhar tempo para que os corticoides atuem e, se possível, transferir a paciente para um centro com UTI neonatal. O prognóstico depende da idade gestacional ao nascimento e da presença de complicações.
Os principais tocolíticos incluem nifedipina (bloqueador de canal de cálcio), atosiban (antagonista do receptor de ocitocina), indometacina (inibidor da ciclooxigenase, evitar após 32 semanas) e terbutalina (agonista beta-adrenérgico, menos usado devido a efeitos colaterais).
A corticoprofilaxia (com betametasona ou dexametasona) é indicada para gestantes entre 24 e 34 semanas de gestação com risco de parto prematuro nas próximas 7 dias, visando acelerar a maturidade pulmonar fetal.
A antibioticoprofilaxia é crucial para prevenir a infecção neonatal por estreptococo do grupo B (GBS) em casos de trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ou status de GBS desconhecido/positivo.
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