INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Mulher multípara, com gestação de 34 semanas e um dia, chega à maternidade com queixa de dor em cólica e endurecimento do abdome. Ao exame: presença de contrações uterinas frequentes (uma a cada cinco minutos), colo uterino com 50% de esvaecimento e 1cm de dilatação, vitalidade fetal preservada. A conduta correta a ser adotada para a paciente é:
Gestação ≥ 34 semanas + contrações → Observação clínica; não se indica tocólise ou corticoide.
Em gestações com 34 semanas ou mais, a conduta na suspeita de trabalho de parto prematuro é expectante. O risco de complicações da prematuridade é baixo, não justificando o uso de tocólise ou corticoides.
O manejo do trabalho de parto prematuro (TPP) exige uma avaliação precisa da idade gestacional e do risco de morbidade neonatal. A partir de 34 semanas, a conduta torna-se predominantemente expectante, pois os riscos associados à prematuridade tardia são menores do que os riscos potenciais dos efeitos colaterais das drogas tocolíticas (como edema agudo de pulmão ou taquicardia) e dos corticoides. Neste cenário clínico, a paciente apresenta contrações frequentes e esvaecimento cervical parcial, mas com apenas 1cm de dilatação. A observação por um período de 2 a 4 horas é a conduta padrão para diferenciar o falso trabalho de parto do TPP verdadeiro. Se não houver progressão da dilatação ou do esvaecimento, a paciente pode receber alta com orientações, evitando intervenções iatrogênicas.
O uso de corticoides antenatais, como betametasona ou dexametasona, tem seu benefício máximo comprovado entre 24 e 34 semanas de gestação. Após esse período, os riscos de complicações respiratórias neonatais graves diminuem significativamente, e o impacto da medicação na redução da morbimortalidade neonatal não justifica seu uso rotineiro, conforme a maioria dos protocolos nacionais e internacionais, visando evitar efeitos metabólicos desnecessários no feto.
A tocólise é indicada principalmente em gestações entre 24 e 33 semanas e 6 dias, com o objetivo primordial de postergar o parto por 48 horas. Esse tempo é crucial para que o corticoide administrado exerça seu efeito pleno na maturação pulmonar fetal e para permitir a transferência da gestante para um centro de referência com UTI neonatal, caso necessário. Não deve ser utilizada se houver contraindicações como corioamnionite ou sofrimento fetal.
O diagnóstico baseia-se na presença de contrações uterinas regulares (pelo menos 2 em 10 minutos ou 4 em 20 minutos) associadas a modificações cervicais demonstráveis. Essas modificações incluem dilatação cervical ≥ 2 cm ou esvaecimento cervical ≥ 50%. Em casos duvidosos, a medida do colo uterino por ultrassonografia transvaginal ou o teste da fibronectina fetal podem auxiliar na predição do risco de parto iminente.
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