UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Gestante de 29 anos, G2P1A0C0, com 31 semanas e pré- -natal sem intercorrências, é avaliada no pronto atendimento de maternidade de alto risco. Apresenta, há quatro horas, perda de líquido claro vaginal e, há uma hora, dor em cólica de moderada intensidade em hipogástrio. Exame físico: BEG, sinais vitais normais. A altura uterina de 29 cm, feto cefálico, BCF 140 bpm, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, com 50 segundos de duração, rítmicas, dolorosas. Exame ginecológico: vulva umedecida, líquido amniótico escoando pela rima vulvar e acumulado em fundo de saco vaginal. Exame de toque: colo esvaecido 50%, medianizado, 5 cm de dilatação, com saída de líquido claro sem grumos, cefálico, plano 0 de De Lee.Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.
RPMO + TPP 31 sem: Sulfato de magnésio (neuroproteção), Betametasona (pulmão), ATB (infecção/GBS).
Em trabalho de parto prematuro com RPMO às 31 semanas, a conduta prioritária inclui neuroproteção fetal com sulfato de magnésio, maturação pulmonar com betametasona e antibioticoterapia para profilaxia de infecção e Estreptococo do Grupo B. Tocolíticos são menos indicados com dilatação avançada.
A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) e o trabalho de parto prematuro (TPP) são condições obstétricas que representam um desafio significativo, sendo as principais causas de morbimortalidade neonatal. Em gestações entre 24 e 34 semanas, como no caso de 31 semanas, a conduta visa otimizar os resultados neonatais, minimizando os riscos associados à prematuridade e à infecção. Nesse cenário, três pilares da conduta são cruciais: a neuroproteção fetal, a maturação pulmonar e a profilaxia de infecção. O sulfato de magnésio é administrado para neuroproteção em gestações com risco de parto prematuro antes de 32 semanas, reduzindo o risco de paralisia cerebral. Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são essenciais para acelerar a maturação pulmonar fetal, diminuindo a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal. A antibioticoterapia é indicada para prolongar o período de latência da RPMO e para profilaxia de infecção neonatal por Estreptococo do Grupo B (GBS), que é uma causa comum de sepse precoce em prematuros. É importante notar que, com 5 cm de dilatação, o trabalho de parto está avançado, e a tocolise (tentativa de inibir as contrações) geralmente não é eficaz e pode ser contraindicada, especialmente na presença de RPMO, devido ao risco de infecção. A prioridade muda para o preparo do feto para o parto iminente, garantindo as intervenções que comprovadamente melhoram o prognóstico neonatal. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente essa situação e implementar o protocolo de manejo adequado.
A conduta inicial inclui a administração de sulfato de magnésio para neuroproteção fetal (se < 32 semanas), corticosteroides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal (se < 34 semanas) e antibioticoterapia para profilaxia de infecção e Estreptococo do Grupo B.
O sulfato de magnésio é utilizado em gestações com risco de parto prematuro antes de 32 semanas para neuroproteção fetal. Estudos demonstraram que ele reduz o risco de paralisia cerebral e disfunção motora grave em recém-nascidos prematuros.
A tocolise pode ser considerada em casos de trabalho de parto prematuro sem RPMO ou com RPMO e dilatação cervical inicial, para prolongar a gestação e permitir a administração completa dos corticosteroides. No entanto, com dilatação avançada (como 5 cm) ou sinais de infecção, a tocolise geralmente não é indicada.
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