Trabalho de Parto Pré-Termo: Manejo e Tocólise

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 28 anos, primigesta, com 33 semanas de gestação foi admitida na maternidade queixando-se de dor abdominal intermitente. Nega perda de líquido ou sangramento pela vagina. Ao ser examinada PA: 110X70 mmHg e FC: 90 bpm. As contrações uterinas ocorrem a cada 5 minutos e o BCF é 144 bpm. Ao toque vaginal, o colo está com 3 cm de dilatação e 90% apagado. Com relação ao caso clínico apresentado, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar prontamente a inibição do trabalho de parto com a nifedipina.
  2. B) Deve-se como próximo passo tentar identificar a etiologia da situação clínica descrita.
  3. C) É fato que se trata de trabalho de parto pré-termo.
  4. D) É fato que o uso de corticoides para maturação pulmonar fetal está indicado nesse caso.

Pérola Clínica

TPP 33s + 3cm dilatação → Corticoide + Tocólise (Nifedipina) + Investigar etiologia.

Resumo-Chave

O trabalho de parto pré-termo (TPP) é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e alterações cervicais antes de 37 semanas. Em 33 semanas, a conduta inclui a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal e, geralmente, tocólise para prolongar a gestação, sendo a nifedipina uma opção de primeira linha. A investigação da causa subjacente é sempre fundamental.

Contexto Educacional

A trabalho de parto pré-termo (TPP) é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal e é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares e alterações cervicais antes de 37 semanas de gestação. O manejo visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal e identificar e tratar possíveis causas subjacentes, como infecções. Em casos de TPP entre 24 e 34 semanas, a administração de corticoides (betametasona ou dexametasona) é fundamental para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal. A tocólise, que consiste na inibição das contrações uterinas, é frequentemente utilizada para ganhar tempo para que os corticoides façam efeito, sendo a nifedipina um tocolítico de primeira linha devido à sua eficácia e perfil de segurança. É crucial que residentes e estudantes de medicina compreendam a importância da avaliação completa da gestante, incluindo a busca por etiologias do TPP, a correta indicação e contraindicação da tocólise e dos corticoides, e o manejo sequencial das intervenções para otimizar os desfechos materno-fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para trabalho de parto pré-termo?

O trabalho de parto pré-termo é diagnosticado pela presença de contrações uterinas regulares (pelo menos 4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) acompanhadas de alterações cervicais progressivas (dilatação cervical de 2 cm ou mais, ou apagamento de 80% ou mais) antes de 37 semanas de gestação.

Qual a indicação de corticoides para maturação pulmonar fetal no trabalho de parto pré-termo?

Os corticoides (betametasona ou dexametasona) são indicados para maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas (e em algumas diretrizes até 36+6 semanas) com risco de parto pré-termo iminente, visando reduzir a morbimortalidade neonatal.

A nifedipina é o único tocolítico utilizado no trabalho de parto pré-termo?

Não, a nifedipina é um tocolítico de primeira linha, mas outras opções incluem os beta-agonistas (terbutalina), inibidores da síntese de prostaglandinas (indometacina) e antagonistas do receptor de ocitocina (atosiban). A escolha depende da idade gestacional, contraindicações e disponibilidade.

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