SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Mulher, 28 anos de idade, primigesta, idade gestacional de 40 semanas e 2 dias, pré-natal sem intercorrências, chega à maternidade referindo dores há 4 horas. Dinâmica uterina 35/40/40, colo 5 cm, centralizado, 50%, plano -1 De Lee, bolsa íntegra. Vem acompanhada do marido, da irmã e da mãe. Diante do exposto, indique a conduta nesse caso.
Fase ativa (≥ 5cm) + dinâmica regular → Internação + Dieta leve + Liberdade de posição.
A paciente encontra-se em fase ativa do trabalho de parto. A conduta preconiza internação para vigilância fetal e materna, garantindo o direito ao acompanhante e métodos não farmacológicos de alívio da dor.
O manejo do trabalho de parto evoluiu para um modelo menos intervencionista. Em primigestas com 40 semanas e dinâmica uterina estabelecida (3 contrações de 40 segundos em 10 minutos), a internação é mandatória ao atingir a fase ativa. O foco deve ser a vigilância do bem-estar fetal via ausculta intermitente e o acompanhamento da progressão cervical via partograma. A conduta deve priorizar a autonomia da mulher, permitindo posições verticalizadas que facilitam a descida fetal. Intervenções como a tricotomia, enema e a manobra de Kristeller são proscritas. A presença de familiares, como citado no caso, é um fator protetor que reduz a necessidade de analgesia farmacológica e melhora os desfechos neonatais.
Atualmente, a fase ativa é definida pela presença de contrações rítmicas e regulares associadas a uma dilatação cervical de pelo menos 5 cm. Anteriormente, utilizava-se o critério de 3 ou 4 cm, mas evidências recentes sugerem que a transição para a fase ativa ocorre mais tardiamente, especialmente em primigestas, reduzindo intervenções desnecessárias ao aguardar essa progressão.
O plano -1 de De Lee indica que a maior circunferência da apresentação fetal (equador da cabeça) está 1 cm acima das espinhas isquiáticas. Em uma paciente com 5 cm de dilatação, essa posição é compatível com a normalidade, sugerindo que o feto está iniciando o processo de descida e encaixe no canal de parto de forma síncrona com a dilatação.
Conforme a Lei Federal nº 11.108/2005, a gestante tem o direito de indicar um acompanhante para estar presente durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Além disso, as diretrizes de humanização recomendam o estímulo à deambulação, oferta de líquidos claros e uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor, como banhos mornos e massagens.
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