Trabalho de Parto Avançado: Conduta em Parto Vaginal Iminente

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Num domingo de manhã, você está de plantão numa cidade pequena, a qual dispõe apenas de um pequeno hospital para atendimento das emergências que ocorrem na cidade. Chamam-lhe às pressas ao pronto atendimento pois há uma gestante em trabalho de parto. Não há cartão de pré-natal e a paciente relata não ter feito nenhuma consulta. Ela diz ter 18 anos e menciona que esta é a sua primeira gestação. Ao exame, você observa altura uterina de 33 cm. Útero apresentando contrações com frequência de 4 por minuto, retornando normalmente ao tônus de base entre as contrações. Os batimentos cardíacos fetais estão em 140 bpm, sem desacelerações. Ao toque vaginal, observa-se o polo cefálico em planos positivos de De Lee, já mobilizando estruturas vulvares durante as contrações e com colo uterino totalmente dilatado. Neste caso, assinale a alternativa que representa a melhor conduta que você pode tomar:

Alternativas

  1. A) Entrar em contato imediatamente com o obstetra de plantão da cidade vizinha (localizada a 80 km de seu local) para transferir a gestante.
  2. B) Acionar o anestesista de sobreaviso e preparar o centro cirúrgico para cesariana.
  3. C) Iniciar terbutalina E.V. para inibir as contrações enquanto transfere a paciente para o obstetra na cidade vizinha.
  4. D) Realizar manobra de Zavaneli e realizar cesariana imediatamente.
  5. E) Aguardar a evolução do parto vaginal, observando as manobras necessárias para sua adequada evolução.

Pérola Clínica

Gestante em trabalho de parto avançado (colo totalmente dilatado, polo cefálico em +De Lee, BCF normal) → Parto vaginal iminente, aguardar evolução e assistir.

Resumo-Chave

A paciente está em trabalho de parto ativo e avançado, com dilatação total do colo e apresentação cefálica em planos baixos (+De Lee), indicando iminência de parto vaginal. Com BCF normal e contrações eficazes, a conduta mais apropriada é aguardar a evolução natural do parto e oferecer a assistência necessária.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo fisiológico que culmina no nascimento do bebê. É dividido em estágios, sendo o primeiro caracterizado pela dilatação do colo uterino e o segundo pela expulsão fetal. A avaliação da progressão do trabalho de parto é fundamental, e a dilatação cervical, o apagamento e a descida da apresentação fetal são parâmetros-chave. No caso apresentado, a gestante está em trabalho de parto avançado, com dilatação total do colo uterino e o polo cefálico em planos positivos de De Lee, o que indica que o parto vaginal é iminente. A frequência de contrações eficazes e os batimentos cardíacos fetais normais (140 bpm, sem desacelerações) demonstram um bom bem-estar fetal e uma progressão adequada do trabalho de parto. Diante de um parto iminente em um local com recursos limitados, a melhor conduta é não tentar transferir a paciente ou realizar intervenções desnecessárias. O foco deve ser em aguardar a evolução natural do parto vaginal, monitorar a mãe e o feto, e estar preparado para assistir o nascimento e lidar com as intercorrências mais comuns. Tentar inibir o parto ou realizar uma cesariana sem indicação clara nesse estágio seria inadequado e potencialmente perigoso.

Perguntas Frequentes

O que significa colo uterino totalmente dilatado?

Significa que o colo uterino atingiu 10 centímetros de dilatação, indicando o início do segundo estágio do trabalho de parto, onde a mulher começa a fazer força para expulsar o bebê.

Qual a importância dos planos de De Lee no trabalho de parto?

Os planos de De Lee indicam a descida da apresentação fetal em relação às espinhas isquiáticas maternas. Planos positivos (+1, +2, +3) significam que a apresentação está abaixo das espinhas, progredindo em direção ao períneo.

Quando a transferência de uma gestante em trabalho de parto é contraindicada?

A transferência é contraindicada quando o parto é iminente, ou seja, em fase avançada (dilatação total ou quase total, apresentação muito baixa), pois o risco de parto na ambulância ou complicações durante o transporte supera os benefícios.

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