SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Primípara a termo, com gestação de risco habitual, foi admitida no centro de parto normal com 5 cm de dilatação, 4 contrações de 50” em 10 minutos, bolsa íntegra, apresentação cefálica fletida, em OEA em plano -1 de De Lee. Feto com boa vitalidade e BCF de 144 bpm. Uma hora após a admissão, apresentava-se com toque vaginal sem modificações comparado ao momento da admissão; feto com boa vitalidade. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta nesse caso clínico.
Primípara em fase ativa com progressão lenta e BCF normal → estimular mobilidade e posições verticalizadas antes de intervenções.
Em primíparas, a fase ativa do trabalho de parto pode ser mais lenta. Uma hora sem modificação com boa vitalidade fetal não configura distocia de imediato. Medidas não farmacológicas, como deambulação e mudança de posição, são indicadas para otimizar a progressão antes de intervenções mais invasivas.
O trabalho de parto ativo é a fase do parto caracterizada por contrações uterinas regulares e progressão da dilatação cervical, geralmente a partir de 5-6 cm. A compreensão de sua fisiologia e manejo é crucial para reduzir intervenções desnecessárias e otimizar os desfechos materno-fetais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a desmedicalização e o respeito à fisiologia do parto, especialmente em gestações de risco habitual. A progressão do trabalho de parto pode variar significativamente entre as mulheres, sendo naturalmente mais lenta em primíparas. A avaliação da progressão é feita pelo toque vaginal e acompanhamento no partograma. Antes de diagnosticar uma distocia funcional e intervir com ocitocina ou amniotomia, é fundamental assegurar que a parturiente esteja em um ambiente de suporte, com liberdade de movimento e posições verticalizadas, que podem otimizar a dinâmica uterina e a descida fetal. A conduta expectante e o suporte contínuo, com monitoramento da vitalidade fetal (ausculta intermitente a cada 30 minutos na fase ativa em gestações de baixo risco), são pilares do manejo do trabalho de parto. Intervenções como amniotomia e ocitocina devem ser reservadas para casos de distocia confirmada, após esgotadas as medidas de suporte e sempre com indicação clara, visando evitar complicações como taquissistolia uterina ou sofrimento fetal.
A distocia de progressão na fase ativa é diagnosticada quando há ausência de modificação cervical por pelo menos 2 horas na fase ativa (dilatação ≥ 6 cm) ou progressão muito lenta (< 1 cm/hora em primíparas ou < 1,2 cm/hora em multíparas) após um período adequado de observação.
A mobilidade e as posições verticalizadas auxiliam na descida fetal, otimizam a contração uterina pela gravidade e podem reduzir a dor, contribuindo para uma progressão mais eficiente do trabalho de parto e diminuindo a necessidade de intervenções.
A amniotomia e a ocitocina são consideradas após um período de observação e falha das medidas não farmacológicas, especialmente se houver diagnóstico de distocia de progressão confirmada e ausência de contraindicações, sempre com monitoramento rigoroso.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo