Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015
Paciente de 30 anos, primípara com 3 contrações em 10 minutos há 9 horas, colo medianizado, dilatação de 8 cm, cefálico em ODT, no plano 0 de De Lee há 3 horas, com bossa serossanguínea. Diante de tal caso, podemos concluir que, provavelmente,
Primípara, 8cm dilatada, plano 0 De Lee por 3h, bossa → Parto vaginal iminente, sem DCP.
Em uma primípara com 8 cm de dilatação e apresentação no plano 0 de De Lee por 3 horas, a presença de bossa serossanguínea indica que a cabeça fetal está sofrendo compressão, mas a progressão da dilatação até 8 cm e a ausência de descida além do plano 0 por um tempo limitado (3h) não configuram, necessariamente, uma desproporção céfalo-pélvica (DCP) ou distocia grave. A bossa é um sinal de moldagem e não impede o parto vaginal.
O trabalho de parto é um processo dinâmico que exige monitoramento contínuo, especialmente em primíparas. A avaliação da dilatação cervical, da descida da apresentação fetal (pelos planos de De Lee) e da dinâmica uterina são pilares para identificar a progressão normal ou distocias. O partograma é a ferramenta gráfica essencial para acompanhar esses parâmetros e tomar decisões clínicas. No caso apresentado, a paciente é uma primípara com 8 cm de dilatação e a apresentação no plano 0 de De Lee por 3 horas, com bossa serossanguínea. A bossa é um edema do couro cabeludo fetal que se forma devido à pressão exercida pelo colo uterino ou pela bacia materna, indicando que a cabeça fetal está se moldando para passar pelo canal de parto. Sua presença não significa necessariamente uma desproporção céfalo-pélvica (DCP), mas sim um processo de moldagem. A permanência no plano 0 de De Lee por 3 horas, embora possa sugerir uma parada secundária da descida, não é suficiente para diagnosticar uma DCP definitiva, especialmente se a dilatação progrediu bem até 8 cm. Muitas vezes, uma distocia funcional ou de rotação pode ser superada com o tempo, mudança de posição materna ou, se necessário, ocitocina. Considerando a dilatação avançada e a ausência de sinais de sofrimento fetal ou exaustão materna, a probabilidade de um parto vaginal nas próximas horas é alta. A DCP é um diagnóstico de exclusão, após tentar otimizar as condições do trabalho de parto.
A bossa serossanguínea é um edema no couro cabeludo fetal causado pela compressão durante o trabalho de parto. Indica moldagem da cabeça fetal e não é, por si só, um sinal de desproporção céfalo-pélvica, mas sim um processo fisiológico de adaptação.
A progressão é avaliada pelo partograma, observando a dilatação cervical (mínimo 1 cm/hora na fase ativa), a descida da apresentação fetal (planos de De Lee) e a frequência/intensidade das contrações uterinas. A análise conjunta desses fatores é crucial.
A DCP é suspeitada quando há parada da dilatação ou da descida fetal, apesar de contrações uterinas adequadas e ausência de outras causas de distocia, como má posição fetal. A presença de bossa volumosa e sobreposição óssea pode reforçar a suspeita.
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