CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Paciente de 22 anos, gestante e imunocompetente apresenta quadro de uveíte posterior relacionada a foco de retinocoroidite ativa com cicatriz adjacente. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a melhor opção terapêutica para este caso?
Gestante + Retinocoroidite ativa → Espiramicina (prevenção de transmissão vertical).
Em gestantes imunocompetentes com toxoplasmose ocular ativa, a espiramicina é a escolha inicial para reduzir o risco de transmissão vertical, embora não trate o feto já infectado.
A toxoplasmose é a causa mais comum de uveíte posterior no Brasil. Em gestantes, o manejo exige cautela redobrada para equilibrar o controle da inflamação ocular materna e a segurança fetal. A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, criando uma barreira contra o parasita, mas possui baixa penetração nos tecidos fetais e oculares. O diagnóstico diferencial de uveíte posterior em gestantes deve incluir sífilis e outras infecções do grupo TORCH. O acompanhamento conjunto com o obstetra é fundamental para monitorar a saúde fetal via ultrassonografia e, se necessário, amniocinese para PCR do líquido amniótico.
A espiramicina é utilizada primordialmente para prevenir a transmissão vertical do Toxoplasma gondii da mãe para o feto. O esquema clássico (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico) é evitado no primeiro trimestre devido à teratogenicidade da pirimetamina. Se houver confirmação de infecção fetal ou se a infecção ocorrer no final da gestação, o esquema tríplice pode ser considerado após o primeiro trimestre, mas a espiramicina continua sendo a droga de escolha para profilaxia de transmissão placentária.
A apresentação clássica é uma uveíte posterior caracterizada por um foco de retinocoroidite ativa (lesão esbranquiçada, 'farol na neblina' devido ao vítreo turvo) adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga. Em pacientes imunocompetentes, a lesão costuma ser unilateral. O diagnóstico é eminentemente clínico, embora a sorologia (IgM e IgG) auxilie na datação da infecção sistêmica.
O tratamento é indicado quando a lesão ameaça a visão (lesões na mácula, papila ou feixe papilomacular), em casos de inflamação vítrea intensa ou em pacientes imunossuprimidos. Na gestante, o tratamento visa também a proteção fetal. Lesões periféricas pequenas em pacientes imunocompetentes não gestantes podem, por vezes, ser apenas observadas, mas a gravidez altera esse limiar de intervenção.
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