Toxoplasmose Ocular: Diagnóstico do 'Farol na Neblina'

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

Paciente HIV soropositivo, CD4 = 254, carga viral > 100.000 cópias, apresentando uveíte posterior unilateral, foco tipo “farol na neblina” e com muita exsudação e vasculite. O diagnóstico etiológico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Criptococose
  2. B) Toxoplasmose
  3. C) PORN
  4. D) CMV

Pérola Clínica

Uveíte posterior + foco de retinocoroidite + "farol na neblina" = Toxoplasmose.

Resumo-Chave

A toxoplasmose é a causa mais comum de uveíte posterior no Brasil; o sinal de 'farol na neblina' indica retinocoroidite ativa com vitreíte intensa.

Contexto Educacional

A toxoplasmose ocular, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, é a principal causa de uveíte posterior infecciosa em indivíduos imunocompetentes e permanece uma causa importante em imunodeprimidos. A lesão típica é uma retinite focal que envolve toda a espessura da retina, frequentemente associada a uma cicatriz coriorretiniana pré-existente (reativação). No contexto do HIV, a apresentação pode ser mais agressiva, bilateral ou multifocal. No entanto, a presença de vitreíte significativa e vasculite, como descrito no caso (CD4 de 254), direciona fortemente para Toxoplasmose. O diagnóstico é eminentemente clínico através da fundoscopia, embora a sorologia e, em casos atípicos, o PCR do humor aquoso ou vítreo possam auxiliar na confirmação etiológica.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o sinal de 'farol na neblina'?

O sinal de 'farol na neblina' é a descrição oftalmoscópica de um foco ativo de retinocoroidite esbranquiçado que é visualizado de forma turva através de uma vitreíte intensa (inflamação do humor vítreo). A exsudação de células inflamatórias no vítreo cria essa 'neblina', enquanto a lesão retiniana ativa brilha como o 'farol'. É altamente sugestivo de toxoplasmose ocular, especialmente se adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga.

Como diferenciar Toxoplasmose de CMV no paciente HIV?

A Toxoplasmose ocular geralmente ocorre com níveis de CD4 mais altos (>100-200) e apresenta intensa reação inflamatória vítrea (vitreíte). Já a retinite por Citomegalovírus (CMV) é uma doença oportunista grave que ocorre quase exclusivamente com CD4 < 50, caracterizando-se por necrose retiniana hemorrágica (aspecto de 'pizza' ou 'queijo com ketchup') e, crucialmente, com pouca ou nenhuma vitreíte ('olho calmo').

Qual o tratamento de escolha para toxoplasmose ocular?

O tratamento clássico, conhecido como 'esquema tríplice', consiste em Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido Folínico (para prevenir toxicidade medular). Corticosteroides sistêmicos são frequentemente adicionados após 24-48h de tratamento antiparasitário para reduzir a lesão inflamatória, especialmente se houver ameaça à mácula ou ao nervo óptico. Em pacientes HIV+, o tratamento pode ser prolongado e requer vigilância rigorosa.

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