Manejo Inicial da Toxoplasmose Ocular e Uveíte Posterior

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente chega ao pronto-socorro com queixa de dor, redução da visão e hiperemia do olho direito há dois dias. Ao exame, apresenta acuidade visual 0,1, reação de câmara anterior duas cruzes em quatro, precipitados ceráticos granulomatosos e lesão branco-amarelada de limites pouco definidos na periferia da retina no olho direito. O olho esquerdo não tem alterações. Qual a conduta inicial mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia ocular.
  2. B) Uso de corticoide e cicloplégico tópicos.
  3. C) Uso de corticoide oral.
  4. D) Sorologia para toxoplasmose.

Pérola Clínica

Uveíte anterior reacional + Lesão retiniana ativa → Corticoide + Cicloplégico (inicial).

Resumo-Chave

O manejo inicial de uveítes com componente inflamatório anterior visa reduzir a dor, controlar a inflamação e prevenir sinéquias oculares.

Contexto Educacional

A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa no Brasil. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na fundoscopia. O quadro descrito — dor, baixa visão, precipitados granulomatosos e lesão periférica — é altamente sugestivo de uma retinocoroidite ativa. A conduta inicial deve focar no alívio sintomático e controle da inflamação ocular imediata com colírios de corticoide e cicloplégicos. O tratamento específico (geralmente Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico) é indicado para lesões que ameaçam a visão (próximas à mácula ou nervo óptico), lesões muito extensas ou em pacientes imunossuprimidos. A sorologia ajuda a confirmar a exposição prévia ao parasita, mas não substitui o julgamento clínico inicial.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clássicos de toxoplasmose ocular no exame?

A apresentação típica é uma retinocoroidite focal, caracterizada por uma lesão branco-amarelada ('foco ativo'), frequentemente adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga ('lesão satélite'). Pode haver vitreíte intensa (aspecto de 'farol na neblina') e reação de câmara anterior com precipitados ceráticos granulomatosos.

Por que usar cicloplégico no manejo inicial da uveíte?

O cicloplégico (como a ciclopentolato ou tropicamida) tem duas funções principais: promover o conforto do paciente ao paralisar o músculo ciliar (reduzindo o espasmo ciliar doloroso) e prevenir a formação de sinéquias posteriores (aderências da íris ao cristalino) ao manter a pupila dilatada.

Qual a importância do corticoide tópico nesse cenário?

Embora a causa primária seja uma infecção na retina (posterior), a inflamação frequentemente 'transborda' para o segmento anterior (uveíte anterior reacional). O corticoide tópico trata essa inflamação anterior, reduzindo a celularidade na câmara anterior e os precipitados ceráticos, melhorando os sintomas de dor e fotofobia.

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