CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Entre as opções abaixo, qual seria a melhor indicação para o uso de corticosteroides sistêmicos na coriorretinite por toxoplasmose?
Corticoide na toxo ocular → indicado se lesão ameaça visão (mácula, nervo óptico ou vítreo intenso).
O uso de corticoides sistêmicos na toxoplasmose ocular visa reduzir a resposta inflamatória e a cicatriz resultante em áreas nobres, como a região juxtapapilar e a mácula.
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa no Brasil. A lesão típica é uma retinocoroidite focal necrosante, frequentemente associada a uma cicatriz pigmentada prévia. A decisão de tratar depende da localização da lesão e da gravidade da inflamação. Lesões periféricas pequenas em pacientes imunocompetentes podem ser apenas observadas, mas lesões em 'zonas nobres' exigem intervenção agressiva. O uso de corticoides é controverso em alguns cenários, mas amplamente aceito para proteger o nervo óptico e a fóvea. A fisiopatologia da destruição tecidual na toxoplasmose envolve tanto a invasão direta pelo parasita quanto a resposta inflamatória secundária do hospedeiro. O corticoide atua especificamente nesta segunda via, reduzindo o edema e o dano colateral aos fotorreceptores adjacentes ao foco de necrose.
A principal indicação para o uso de corticosteroides sistêmicos na coriorretinite por toxoplasmose ocorre quando há risco iminente à acuidade visual central. Isso inclui focos ativos de retinocoroidite localizados na mácula, no feixe papilomacular ou em posição juxtapapilar (próximo ao nervo óptico). Além disso, é indicado em casos de vitreíte intensa que impeça a visualização do fundo de olho ou em reações inflamatórias graves. O objetivo é modular a resposta imune do hospedeiro para minimizar a destruição tecidual e a formação de cicatrizes permanentes em áreas críticas da retina.
Não. O uso de corticosteroides sistêmicos deve ser sempre acompanhado por terapia antiparasitária específica (geralmente o esquema clássico com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico). O uso isolado de corticoides suprime a resposta imune necessária para conter a replicação do Toxoplasma gondii, o que pode resultar em uma retinite necrosante progressiva e severa, com risco de perda total da visão e até perfuração ocular em casos extremos.
Geralmente, o corticosteroide (como a prednisona) é introduzido 12 a 48 horas após o início do tratamento antiparasitário. Essa breve latência garante que os níveis séricos e teciduais dos fármacos antiparasitários já estejam adequados para prevenir a proliferação do protozoário antes de se iniciar a imunossupressão. A dose costuma ser de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia, com desmame gradual conforme a melhora da inflamação vítrea e cicatrização da lesão retiniana.
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