Toxoplasmose Ocular: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Paciente de 22 anos, cuidadora de gatos, apresenta baixa visual unilateral associada a células inflamatórias no vítreo; e foco inflamatório branco amarelado próximo ao nervo óptico, com cicatriz coriorretiniana adjacente. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Observação.
  2. B) Sulfadiazina, pirimetamina, ácido folínico e prednisona via oral.
  3. C) Sulfametoxazol-trimetoprima.
  4. D) Vancomicina.

Pérola Clínica

Foco de retinocoroidite 'farol na neblina' + Cicatriz prévia = Toxoplasmose ocular.

Resumo-Chave

A toxoplasmose ocular é a principal causa de uveíte posterior no Brasil; o tratamento clássico envolve o esquema quádruplo para lesões que ameaçam a visão.

Contexto Educacional

A toxoplasmose ocular é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. No Brasil, a transmissão ocorre principalmente pela ingestão de oocistos em água ou alimentos contaminados, sendo a forma adquirida mais comum que a congênita em muitas regiões. A recorrência é a marca da doença, ocorrendo quando cistos latentes na retina se rompem. O diagnóstico é eminentemente clínico através da fundoscopia. A sorologia (IgG e IgM) auxilia na confirmação da exposição, mas não define atividade ocular isoladamente. O tratamento visa interromper a replicação do parasita e minimizar o dano tecidual inflamatório, preservando a função visual central e o campo visual.

Perguntas Frequentes

Qual a apresentação clínica típica da toxoplasmose ocular?

A apresentação clássica é uma retinocoroidite focal, esbranquiçada ou amarelada, com bordas mal definidas, frequentemente adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga. A inflamação vítrea sobrejacente dá o aspecto de 'farol na neblina' à fundoscopia.

Quando tratar um quadro de toxoplasmose ocular?

O tratamento é indicado quando a lesão ameaça a visão: localização na mácula, zona de feixe papilomacular, adjacente ao nervo óptico, lesões muito extensas ou em pacientes imunossuprimidos. Lesões periféricas pequenas em imunocompetentes podem ser apenas observadas.

Qual o esquema terapêutico de primeira escolha?

O esquema clássico (quádruplo) consiste em Sulfadiazina, Pirimetamina, Ácido Folínico (para prevenir depressão medular) e Prednisona (iniciada após 24-48h de antibiótico para reduzir a resposta inflamatória). Alternativamente, usa-se Sulfametoxazol-Trimethoprim.

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