Contraindicações do Corticoide Periocular em Uveítes

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Em qual situação das abaixo relacionadas a injeção periocular de corticoide como monoterapia é contraindicada para o tratamento de uveíte?

Alternativas

  1. A) Espondilite ancilosante
  2. B) Uveíte intermediária
  3. C) Sarcoidose
  4. D) Toxoplasmose

Pérola Clínica

Toxoplasmose + Corticoide periocular isolado = Risco de necrose retiniana fulminante por replicação parasitária.

Resumo-Chave

A injeção periocular de corticoides é contraindicada na toxoplasmose ocular sem cobertura antimicrobiana, pois a imunossupressão local severa permite a proliferação descontrolada do Toxoplasma gondii.

Contexto Educacional

O manejo das uveítes exige uma distinção clara entre etiologias infecciosas e não infecciosas. O uso de corticoides é o pilar do tratamento inflamatório, mas sua via de administração deve ser cautelosa. A via periocular oferece a vantagem de evitar a toxicidade sistêmica (hiperglicemia, osteoporose, Cushing), mas carrega o risco de complicações locais como catarata, glaucoma e, crucialmente, o agravamento de infecções. Na toxoplasmose, o tratamento padrão é a terapia tripla sistêmica. O corticoide só entra no esquema após 24-48 horas de cobertura antibiótica e sempre por via oral, permitindo o ajuste da dose conforme a resposta clínica. A injeção periocular é considerada um erro grave nessa patologia devido à impossibilidade de reversão imediata do efeito imunossupressor local.

Perguntas Frequentes

Por que o corticoide periocular é perigoso na toxoplasmose ocular?

A toxoplasmose ocular é causada por um parasita intracelular. O uso de corticoides perioculares (como a triancinolona de depósito) cria um ambiente de imunossupressão local profunda e prolongada. Sem a presença de drogas antiparasitárias (como sulfadiazina e pirimetamina), o parasita se replica livremente, levando a quadros de retinocoroidite necrotizante extensa, vitreíte severa e possível perda total da visão. Diferente do corticoide sistêmico, o depósito periocular não pode ser 'retirado' rapidamente se a infecção piorar.

Quais as indicações clássicas para injeção periocular de corticoides?

As injeções perioculares (subtenoniana posterior ou orbital) são indicadas principalmente para uveítes não infecciosas, como a uveíte intermediária, sarcoidose ocular e uveítes associadas a doenças reumatológicas (ex: espondilite ancilosante), especialmente quando há edema macular cistoide associado ou quando o paciente apresenta intolerância aos efeitos colaterais dos corticoides sistêmicos. Elas permitem uma alta concentração da droga no segmento posterior com menos efeitos sistêmicos.

Como diferenciar uveíte por toxoplasmose de outras uveítes posteriores?

A toxoplasmose ocular tipicamente se apresenta como uma área de retinocoroidite focal ativa (lesão esbranquiçada e elevada) adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga ('lesão satélite'). É acompanhada por uma reação inflamatória vítrea intensa, descrita como 'farol na neblina'. Outras uveítes, como a sarcoidose, tendem a apresentar granulomas, vasculite e nódulos de íris, enquanto a espondilite ancilosante cursa mais frequentemente com uveíte anterior aguda recorrente, raramente afetando o segmento posterior de forma isolada.

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