CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Em qual situação das abaixo relacionadas a injeção periocular de corticoide como monoterapia é contraindicada para o tratamento de uveíte?
Toxoplasmose + Corticoide periocular isolado = Risco de necrose retiniana fulminante por replicação parasitária.
A injeção periocular de corticoides é contraindicada na toxoplasmose ocular sem cobertura antimicrobiana, pois a imunossupressão local severa permite a proliferação descontrolada do Toxoplasma gondii.
O manejo das uveítes exige uma distinção clara entre etiologias infecciosas e não infecciosas. O uso de corticoides é o pilar do tratamento inflamatório, mas sua via de administração deve ser cautelosa. A via periocular oferece a vantagem de evitar a toxicidade sistêmica (hiperglicemia, osteoporose, Cushing), mas carrega o risco de complicações locais como catarata, glaucoma e, crucialmente, o agravamento de infecções. Na toxoplasmose, o tratamento padrão é a terapia tripla sistêmica. O corticoide só entra no esquema após 24-48 horas de cobertura antibiótica e sempre por via oral, permitindo o ajuste da dose conforme a resposta clínica. A injeção periocular é considerada um erro grave nessa patologia devido à impossibilidade de reversão imediata do efeito imunossupressor local.
A toxoplasmose ocular é causada por um parasita intracelular. O uso de corticoides perioculares (como a triancinolona de depósito) cria um ambiente de imunossupressão local profunda e prolongada. Sem a presença de drogas antiparasitárias (como sulfadiazina e pirimetamina), o parasita se replica livremente, levando a quadros de retinocoroidite necrotizante extensa, vitreíte severa e possível perda total da visão. Diferente do corticoide sistêmico, o depósito periocular não pode ser 'retirado' rapidamente se a infecção piorar.
As injeções perioculares (subtenoniana posterior ou orbital) são indicadas principalmente para uveítes não infecciosas, como a uveíte intermediária, sarcoidose ocular e uveítes associadas a doenças reumatológicas (ex: espondilite ancilosante), especialmente quando há edema macular cistoide associado ou quando o paciente apresenta intolerância aos efeitos colaterais dos corticoides sistêmicos. Elas permitem uma alta concentração da droga no segmento posterior com menos efeitos sistêmicos.
A toxoplasmose ocular tipicamente se apresenta como uma área de retinocoroidite focal ativa (lesão esbranquiçada e elevada) adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga ('lesão satélite'). É acompanhada por uma reação inflamatória vítrea intensa, descrita como 'farol na neblina'. Outras uveítes, como a sarcoidose, tendem a apresentar granulomas, vasculite e nódulos de íris, enquanto a espondilite ancilosante cursa mais frequentemente com uveíte anterior aguda recorrente, raramente afetando o segmento posterior de forma isolada.
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