Toxoplasmose Ocular: Diagnóstico e Fisiopatologia

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

Sobre a toxoplasmose ocular, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Não ocorre nas formas adquiridas da doença
  2. B) Acomete primariamente a retina
  3. C) Evolui frequentemente com descolamento de retina
  4. D) O uso do corticoide sistêmico é contraindicado na fase aguda da doença

Pérola Clínica

Toxoplasmose ocular = Retinocoroidite necrosante focal (acometimento primário da retina).

Resumo-Chave

A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa; o parasita infecta primariamente a retina, com inflamação secundária da coroide.

Contexto Educacional

A toxoplasmose ocular é causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii. É a principal causa de uveíte posterior no Brasil. A fisiopatologia envolve a chegada do parasita à retina via circulação retiniana ou ciliar, onde ele se estabelece e pode permanecer latente na forma de bradizoítos dentro de cistos teciduais. Clinicamente, o paciente apresenta queixa de moscas volantes e baixa acuidade visual. Ao exame, a 'vitreíte' (inflamação do vítreo) sobrejacente à lesão ativa cria o clássico aspecto de 'farol na neblina'. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na fundoscopia, embora a sorologia (IgG e IgM) auxilie na confirmação da exposição prévia ou infecção aguda sistêmica.

Perguntas Frequentes

Qual é o sítio primário da infecção na toxoplasmose ocular?

O sítio primário da infecção pelo Toxoplasma gondii no olho é a retina neurossensorial. O parasita tem tropismo pelo tecido neural, causando uma retinite necrosante focal. A inflamação da coroide (coroidite) ocorre de forma secundária à adjacência com a retina infectada, motivo pelo qual o termo técnico mais preciso é retinocoroidite. Em exames de fundo de olho, observa-se classicamente uma lesão esbranquiçada com bordas mal definidas na fase aguda, frequentemente associada a uma cicatriz pigmentada antiga (lesão satélite).

O corticoide sistêmico é contraindicado na fase aguda?

Não, o corticoide sistêmico não é contraindicado, mas deve ser utilizado com cautela e SEMPRE associado à terapia antiparasitária. O uso isolado de corticoides pode levar à replicação descontrolada do parasita e necrose retiniana grave. A indicação do corticoide visa reduzir a resposta inflamatória exacerbada que pode danificar estruturas nobres como a mácula ou o nervo óptico, sendo geralmente iniciado 24 a 48 horas após o início dos antibióticos.

A toxoplasmose ocular ocorre apenas na forma congênita?

Não. Embora historicamente se acreditasse que a maioria dos casos era decorrente de reativação de infecção congênita, estudos epidemiológicos modernos demonstram que a toxoplasmose ocular adquirida (pós-natal) é extremamente comum e responsável por uma parcela significativa dos casos clínicos. A apresentação clínica pode ser idêntica em ambas as formas, caracterizando-se por episódios de uveíte posterior recorrente.

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