CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Sobre a toxoplasmose ocular, podemos afirmar que:
Toxoplasmose ocular = Retinocoroidite necrosante focal (acometimento primário da retina).
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa; o parasita infecta primariamente a retina, com inflamação secundária da coroide.
A toxoplasmose ocular é causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii. É a principal causa de uveíte posterior no Brasil. A fisiopatologia envolve a chegada do parasita à retina via circulação retiniana ou ciliar, onde ele se estabelece e pode permanecer latente na forma de bradizoítos dentro de cistos teciduais. Clinicamente, o paciente apresenta queixa de moscas volantes e baixa acuidade visual. Ao exame, a 'vitreíte' (inflamação do vítreo) sobrejacente à lesão ativa cria o clássico aspecto de 'farol na neblina'. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na fundoscopia, embora a sorologia (IgG e IgM) auxilie na confirmação da exposição prévia ou infecção aguda sistêmica.
O sítio primário da infecção pelo Toxoplasma gondii no olho é a retina neurossensorial. O parasita tem tropismo pelo tecido neural, causando uma retinite necrosante focal. A inflamação da coroide (coroidite) ocorre de forma secundária à adjacência com a retina infectada, motivo pelo qual o termo técnico mais preciso é retinocoroidite. Em exames de fundo de olho, observa-se classicamente uma lesão esbranquiçada com bordas mal definidas na fase aguda, frequentemente associada a uma cicatriz pigmentada antiga (lesão satélite).
Não, o corticoide sistêmico não é contraindicado, mas deve ser utilizado com cautela e SEMPRE associado à terapia antiparasitária. O uso isolado de corticoides pode levar à replicação descontrolada do parasita e necrose retiniana grave. A indicação do corticoide visa reduzir a resposta inflamatória exacerbada que pode danificar estruturas nobres como a mácula ou o nervo óptico, sendo geralmente iniciado 24 a 48 horas após o início dos antibióticos.
Não. Embora historicamente se acreditasse que a maioria dos casos era decorrente de reativação de infecção congênita, estudos epidemiológicos modernos demonstram que a toxoplasmose ocular adquirida (pós-natal) é extremamente comum e responsável por uma parcela significativa dos casos clínicos. A apresentação clínica pode ser idêntica em ambas as formas, caracterizando-se por episódios de uveíte posterior recorrente.
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