CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Qual dos medicamentos abaixo utilizados para tratamento de toxoplasmose ocular apresenta maior risco de causar colite pseudomembranosa?
Clindamicina no tratamento da toxoplasmose → Risco elevado de Colite Pseudomembranosa (C. difficile).
A clindamicina é uma alternativa eficaz para a toxoplasmose ocular, especialmente em pacientes alérgicos a sulfas, mas é o antibiótico classicamente associado ao desenvolvimento de colite por C. difficile.
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa em indivíduos imunocompetentes no Brasil. O tratamento visa reduzir o dano retiniano e a recorrência. A clindamicina atua inibindo a síntese proteica do Toxoplasma gondii. No entanto, a segurança do paciente exige vigilância rigorosa. A colite pseudomembranosa pode ser fatal se não reconhecida precocemente. Médicos devem instruir pacientes em uso de clindamicina a interromper a medicação e procurar assistência imediata se apresentarem alterações no hábito intestinal, garantindo que o tratamento da visão não comprometa a saúde sistêmica.
A clindamicina é um antibiótico de amplo espectro que altera significativamente a microbiota intestinal normal. Essa disbiose permite a proliferação excessiva da bactéria Gram-positiva Clostridioides difficile (antigamente Clostridium difficile). O C. difficile produz toxinas (A e B) que causam inflamação severa da mucosa do cólon, formação de pseudomembranas amareladas e diarreia profusa. Embora muitos antibióticos possam causar essa condição, a clindamicina é historicamente um dos agentes com maior associação epidemiológica.
O tratamento clássico da toxoplasmose ocular (o 'esquema tríplice') consiste em pirimetamina, sulfadiazina e corticosteroides. A clindamicina entra como uma alternativa ou terapia adjuvante, sendo frequentemente utilizada em pacientes que apresentam hipersensibilidade às sulfonamidas (como a sulfadiazina) ou em casos de resistência ao tratamento convencional. Ela pode ser administrada por via oral ou até mesmo via intravítrea em situações específicas.
O diagnóstico é suspeitado em pacientes que desenvolvem diarreia (frequentemente com muco e sangue), dor abdominal e febre após o uso de antibióticos. A confirmação é feita pela detecção das toxinas do C. difficile nas fezes ou por colonoscopia demonstrando pseudomembranas. O tratamento envolve a suspensão imediata do antibiótico causador e o início de antibioticoterapia específica contra o C. difficile, sendo a vancomicina oral ou a fidaxomicina as opções de primeira linha atualmente.
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