TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Uma jovem de 24 anos de idade, gestante no primeiro trimestre, procura um oftalmologista com queixa de presença de pontos negros em sua visão lateral direita. No fundo de olho, foram observadas lesões cicatrizadas em região macular e perimacular. Sobre o caso apresentado, qual a conduta ideal?
Lesão ocular cicatrizada por toxoplasmose sem sinais de atividade → Observação, sem tratamento.
A presença de cicatrizes coriorretinianas antigas sem sinais de inflamação ativa (ex: 'névoa na frente do farol') não justifica tratamento medicamentoso, mesmo em gestantes.
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior no Brasil. Na gestação, o manejo exige cautela para diferenciar infecção aguda de cicatrizes antigas. Lesões cicatrizadas são áreas de atrofia coriorretiniana com bordas pigmentadas, indicando que o processo inflamatório cessou. A queixa de 'pontos negros' (moscas volantes) pode ocorrer por tração vítrea ou descolamento do vítreo posterior, nem sempre indicando atividade. Clinicamente, a decisão terapêutica baseia-se no exame de fundo de olho. Se não há focos de retinite ativa (lesões 'em satélite' esbranquiçadas), a conduta é expectante. O uso de drogas como sulfadiazina e pirimetamina é reservado para lesões que ameaçam a visão (mácula ou nervo óptico) e deve evitar a pirimetamina no primeiro trimestre devido ao potencial teratogênico.
O tratamento só está indicado se houver evidência de retinocoroidite ativa (lesão exsudativa esbranquiçada com vítreo turvo). Lesões puramente cicatrizadas, como no caso clínico, não requerem intervenção farmacológica, pois representam infecção pregressa e inativa, sem risco imediato de transmissão vertical ou progressão ocular no momento.
Embora a gestação seja um estado de imunomodulação, o risco de reativação de uma cicatriz antiga existe, mas não é mandatório. Se ocorrer reativação com lesão ativa, o tratamento deve ser instituído para preservar a visão materna, utilizando espiramicina ou o esquema clássico (após o primeiro trimestre) dependendo da gravidade e localização.
A espiramicina é utilizada para prevenir a transmissão vertical em casos de infecção aguda (soroconversão) materna. No caso de lesões oculares cicatrizadas, a infecção é crônica e o parasita está encistado. Não há evidência de benefício no uso de antibióticos para lesões inativas, independentemente do status gestacional.
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