CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Sobre a retinocoroidite associada à toxoplasmose ocular podemos afirmar que:
Toxoplasmose ocular ativa + lesão justadiscal = Pseudo-estrela macular (simula arranhadura do gato).
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior. Quando a lesão ativa ocorre perto do disco óptico, pode mimetizar quadros de neurorretinite, exigindo diagnóstico diferencial cuidadoso.
A toxoplasmose ocular é causada pelo protozoário intracelular Toxoplasma gondii. A infecção pode ser congênita ou adquirida. A retinocoroidite é a manifestação clínica mais frequente, caracterizando-se por uma necrose focal da retina que envolve a coroide secundariamente. A recorrência é comum, ocorrendo quando cistos teciduais latentes na retina se rompem, liberando taquizoítos que infectam células adjacentes. O diagnóstico é clínico, baseado na fundoscopia. Complicações vasculares podem ocorrer, como a vasculite retiniana (frequentemente uma arteriolite chamada de manchas de Kyrieleis). A oclusão de ramo arterial pode acontecer por inflamação direta da parede do vaso ou compressão, e não primariamente por agregação plaquetária mediada por anticorpos. O tratamento envolve o uso de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico (esquema clássico), associado a corticoides sistêmicos para controlar a inflamação vítrea e proteger a mácula ou o nervo óptico.
A neurorretinite clássica (com estrela macular) é típica da doença da arranhadura do gato (Bartonella henselae). No entanto, quando o Toxoplasma gondii causa uma retinocoroidite ativa adjacente ao disco óptico (lesão justadiscal), o exsudato e o edema podem se espalhar para a mácula, formando uma 'estrela macular' secundária. Esse quadro clínico, acompanhado de edema de papila, torna as duas condições muito semelhantes ao exame de fundo de olho.
A apresentação clássica é uma área focal de retinite esbranquiçada e edematosa, frequentemente descrita como 'farol na neblina' devido à vitreíte sobrejacente intensa. Geralmente, essa lesão ativa aparece na borda de uma cicatriz coriorretiniana antiga e pigmentada (lesão satélite). Múltiplas lesões ativas simultâneas são raras e sugerem imunossupressão grave.
Sim, a vitreíte é uma característica marcante e quase constante na toxoplasmose ocular ativa. Ela é responsável pelo embaçamento visual significativo e pelo aspecto de 'farol na neblina' na fundoscopia. A afirmação de que a vitreíte é rara ou associada apenas ao SNC está incorreta; ela é uma reação inflamatória local esperada na uveíte posterior por toxoplasma.
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