CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Homem, 35 anos, refere perda visual unilateral há três dias. Ao exame, apresenta acuidade visual de 0,2 nesse olho, precipitados ceráticos granulomatosos, vitreíte e lesão esbranquiçada adjacente a uma cicatriz coriorretiniana na fundoscopia. Relata alergia à acetazolamida. Diante desse fato, assinale qual destes antibióticos seria mais adequado ao tratamento:
Toxoplasmose ocular + alergia a sulfa → Substituir Sulfametoxazol por Clindamicina.
Em pacientes com toxoplasmose ocular e hipersensibilidade a sulfonamidas (incluindo acetazolamida), a clindamicina é a alternativa terapêutica de escolha para compor o esquema com pirimetamina.
A toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior infecciosa em indivíduos imunocompetentes no Brasil. A lesão ativa caracteriza-se por uma retinite necrosante focal. O tratamento visa interromper a replicação do parasita (Toxoplasma gondii), acelerar a resolução da inflamação e proteger o nervo óptico e a mácula. A escolha do antibiótico deve considerar as alergias do paciente. As sulfonamidas (como a sulfadiazina) são a base do tratamento, mas possuem alta taxa de efeitos adversos cutâneos. A clindamicina apresenta excelente penetração ocular e eficácia contra os taquizoítos, sendo a alternativa preferencial. O uso de corticoides sistêmicos é fundamental para controlar a vitreíte e a resposta inflamatória, mas nunca deve ser feito de forma isolada, sob risco de progressão fulminante da necrose retiniana.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na fundoscopia. A lesão clássica é uma retinocoroidite focal, apresentando-se como uma mancha esbranquiçada ('fogo na neblina' devido à vitreíte sobrejacente), frequentemente adjacente a uma cicatriz pigmentada antiga (recidiva). Sintomas incluem baixa acuidade visual unilateral e moscas volantes. Exames sorológicos (IgG positivo) auxiliam na confirmação, mas a clínica é soberana.
A acetazolamida é um inibidor da anidrase carbônica que possui uma estrutura química derivada das sulfonamidas. Embora a reatividade cruzada não ocorra em todos os pacientes, existe um risco significativo de hipersensibilidade em indivíduos alérgicos a antibióticos do grupo sulfa (como o sulfametoxazol). Portanto, se um paciente relata alergia à acetazolamida, deve-se evitar o uso de sulfonamidas no tratamento da toxoplasmose.
O esquema clássico ('terapia tripla') envolve Pirimetamina, Sulfadiazina e Corticosteroides (iniciados após 24-48h de antibiótico). O ácido folínico é adicionado para prevenir toxicidade medular da pirimetamina. Em casos de alergia à sulfa, a Clindamicina (300mg 6/6h) é a substituta padrão. Outra opção moderna é o uso de Sulfametoxazol-Trimetoprim, mas este também é contraindicado em alérgicos a sulfonamidas.
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