Toxoplasmose Gestacional: Diagnóstico e Conduta Imediata

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021

Enunciado

Gestante com 22 semanas, realizou sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM) com 8 semanas que foi positiva. Realizou teste de avidez de IgG com 15 semanas que foi compatível com baixa afinidade. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Iniciar pirimetamina e pesquisar infecção fetal.
  2. B) Orientar medidas higieno-dietéticas
  3. C) Iniciar espiramicina e pesquisar infecção fetal.
  4. D) Repetir sorologia (IgG e IgM) para toxoplasmose.
  5. E) Realizar PCR em líquido amniótico para toxoplasmose.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional aguda (IgG/IgM+, avidez baixa) → iniciar espiramicina + pesquisar infecção fetal (PCR LA).

Resumo-Chave

A presença de IgG e IgM positivas com baixa avidez de IgG em gestante indica infecção aguda recente. Nesses casos, a conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir a transmissão vertical ao feto e, em paralelo, investigar a infecção fetal através de PCR no líquido amniótico.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação representa um risco significativo de infecção congênita, com potenciais sequelas graves para o feto. O diagnóstico precoce e a conduta adequada são cruciais para minimizar esses riscos. A interpretação da sorologia, especialmente a combinação de IgG e IgM com o teste de avidez de IgG, é fundamental para determinar o momento da infecção. Uma avidez baixa de IgG em uma gestante com IgG e IgM positivas indica uma infecção aguda recente, geralmente adquirida nos últimos 3-4 meses. Diante de uma infecção aguda materna, a prioridade é reduzir o risco de transmissão vertical. Para isso, a espiramicina deve ser iniciada imediatamente. Este antibiótico atravessa a placenta em menor grau, mas se concentra na placenta, reduzindo a parasitemia e, consequentemente, a chance de o parasita atingir o feto. Simultaneamente, a investigação da infecção fetal é essencial, sendo a amniocentese para PCR no líquido amniótico o método de escolha, realizada idealmente após 18 semanas de gestação e pelo menos 4 semanas após a soroconversão materna. Caso a infecção fetal seja confirmada, o tratamento é escalonado para um esquema tríplice com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, que tem maior penetração fetal e é mais eficaz no tratamento da infecção já estabelecida no feto. A vigilância ultrassonográfica fetal também é importante para identificar sinais de infecção. O manejo multidisciplinar e a educação da gestante sobre medidas preventivas são pilares no controle da toxoplasmose congênita.

Perguntas Frequentes

Como interpretar a sorologia e o teste de avidez para toxoplasmose na gestação?

IgG e IgM positivas com avidez de IgG baixa sugerem infecção aguda recente (adquirida há menos de 12-16 semanas). Avidez alta indica infecção antiga, geralmente antes da gestação.

Qual a conduta inicial para toxoplasmose aguda em gestantes?

A conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical. Em paralelo, deve-se pesquisar a infecção fetal, geralmente por PCR no líquido amniótico após 18 semanas de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna.

Quando é indicado o tratamento com pirimetamina e sulfadiazina na toxoplasmose gestacional?

O esquema com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é indicado quando há confirmação de infecção fetal ou evidência de doença fetal, ou em casos de infecção materna mais avançada, após o primeiro trimestre.

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