Toxoplasmose na Gestação: Interpretação e Conduta (Protocolo Curitibana)

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Gestante de 16 anos, primigesta com 18 semanas de gestação, traz resultado de exames realizados na semana anterior. Apresenta anticorpos IgM e IgG antitoxoplasmose reagentes e teste da avidez para IgG alta. Nega exames anteriores para toxoplasmose. Assinale a alternativa correta de acordo com o Protocolo Mãe Curitibana, 2021.

Alternativas

  1. A) A gestante deve iniciar o tratamento com espiramicina 3 g ao dia e ser encaminhada para o Pré-Natal de alto risco.
  2. B) Deve ser interpretado como infecção prévia à gestação e não há necessidade de solicitar sorologias para toxoplasmose no segundo e terceiro trimestres.
  3. C) Trata-se de infecção recente e deve ser iniciado tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico e encaminhada para Alto Risco
  4. D) Deve ser solicitado teste de avidez para IgM para esclarecer o diagnóstico de infecção recente ou prévia à gestação.
  5. E) Deve-se repetir a sorologia mensalmente para confirmação do diagnóstico de toxoplasmose e manter a paciente no pré-natal na Unidade de Saúde.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional (IgM+ IgG+ avidez alta) = infecção prévia, mas Protocolo Mãe Curitibana indica Espiramicina e alto risco.

Resumo-Chave

Em gestante com IgM e IgG reagentes e avidez de IgG alta, a infecção por toxoplasmose é considerada prévia à gestação. No entanto, o Protocolo Mãe Curitibana 2021, por cautela e para garantir a segurança fetal, recomenda iniciar espiramicina 3g/dia e encaminhar para pré-natal de alto risco, mesmo com avidez alta.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas graves para o feto. O diagnóstico preciso do momento da infecção materna é crucial para a conduta. A sorologia para toxoplasmose envolve a pesquisa de anticorpos IgM e IgG. IgM reagente sugere infecção recente, enquanto IgG reagente indica contato prévio com o parasita. O teste de avidez de IgG é uma ferramenta diagnóstica importante para diferenciar infecções recentes de infecções antigas. Uma avidez de IgG alta indica que a infecção ocorreu há mais de 12-16 semanas, geralmente antes da gestação, implicando um risco muito baixo de transmissão congênita. Por outro lado, avidez baixa sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses). No cenário apresentado, com IgM e IgG reagentes e avidez de IgG alta, a interpretação usual seria de infecção prévia à gestação. No entanto, o Protocolo Mãe Curitibana 2021 adota uma abordagem mais conservadora, recomendando o início da espiramicina (3g/dia) e o encaminhamento para o pré-natal de alto risco. Esta conduta visa maximizar a proteção fetal, mesmo em casos de baixa probabilidade de infecção recente, refletindo a importância da profilaxia e do acompanhamento especializado em protocolos locais.

Perguntas Frequentes

Como interpretar IgM e IgG reagentes com avidez de IgG alta na gestação?

IgM e IgG reagentes com avidez de IgG alta geralmente indicam uma infecção por toxoplasmose adquirida há mais de 12-16 semanas, ou seja, antes da gestação ou no início dela. Isso sugere que o risco de transmissão congênita é baixo.

Por que o Protocolo Mãe Curitibana recomenda espiramicina mesmo com avidez alta?

Embora a avidez alta sugira infecção prévia, alguns protocolos, como o Mãe Curitibana, podem adotar uma abordagem mais cautelosa. A espiramicina é iniciada profilaticamente para reduzir o risco de transmissão placentária, e o encaminhamento para alto risco garante um acompanhamento especializado e detalhado da gestação.

Qual o papel da espiramicina no tratamento da toxoplasmose gestacional?

A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta e reduz o risco de transmissão vertical do Toxoplasma gondii para o feto. É utilizada como tratamento profilático na gestante para evitar a infecção fetal, especialmente quando há incerteza sobre o momento da infecção materna.

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