HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021
Marta, 30 anos, está na segunda gestação, semantecedentes patológicos. A gestação anterior foi normal e a termo. Iniciou acompanhamento de pré-natal com a médica de família e comunidade Denise, com 8 semanas de gestação, calculada pela data da última menstruação. Com 12 semanas, na consulta de rotina, trouxe os exames do primeiro trimestre com IgM e IgG reagentes paratoxoplasmose. Foi solicitado teste de avidez IgG paratoxoplasmose, que veio com avidez fraca. Tinha resultados não reagentes de IgM e IgG para toxoplasmose na últimagestação. A conduta neste caso seria:
Toxoplasmose gestacional aguda (IgM+, IgG+, avidez fraca) no 1º trimestre → iniciar Espiramicina para profilaxia da transmissão fetal.
A presença de IgM e IgG reagentes para toxoplasmose com avidez fraca de IgG em uma gestante que era soronegativa na gestação anterior (e no início da atual) indica uma infecção aguda recente, provavelmente adquirida durante a gestação atual. Nesses casos, a conduta inicial é iniciar a espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical para o feto, enquanto se aguardam exames confirmatórios e avaliação da infecção fetal.
A toxoplasmose na gravidez é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e suas graves consequências para o feto, incluindo malformações congênitas, hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. O diagnóstico precoce e a conduta adequada são essenciais para minimizar esses riscos. A sorologia para toxoplasmose (IgM e IgG) é parte integrante do pré-natal. No caso de IgM e IgG reagentes, o teste de avidez de IgG é fundamental para determinar o tempo da infecção. Uma avidez fraca de IgG, especialmente em uma gestante que era soronegativa antes ou no início da gestação, indica uma infecção aguda recente, provavelmente adquirida durante a gravidez. Este cenário exige intervenção imediata para proteger o feto. A conduta inicial para uma gestante com diagnóstico de toxoplasmose aguda é a administração de espiramicina. Este antibiótico tem como objetivo principal reduzir a taxa de transmissão vertical para o feto, atuando na placenta. O esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) é reservado para casos em que a infecção fetal já está confirmada, após amniocentese e PCR para Toxoplasma gondii, ou quando há evidências de infecção fetal no ultrassom. O encaminhamento para um especialista é sempre recomendado para acompanhamento e manejo detalhado.
IgM e IgG reagentes com avidez de IgG fraca em gestante previamente soronegativa indicam infecção aguda recente, provavelmente adquirida na gestação. Avidez alta sugere infecção antiga (mais de 3-4 meses), enquanto IgM reagente isolado pode ser falso positivo ou infecção muito recente.
O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção. Avidez fraca indica infecção recente (nos últimos 3-4 meses), o que é preocupante na gestação devido ao risco de transmissão congênita. Avidez alta, por outro lado, sugere infecção antiga, geralmente antes da gestação.
A espiramicina deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico de infecção materna aguda por toxoplasmose, antes mesmo da confirmação da infecção fetal. Seu principal objetivo é reduzir o risco de transmissão vertical do parasita para o feto, não tratando a infecção fetal já estabelecida.
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