Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2021
Gestante de 9 semanas com sorologia para Toxoplasmose IgM+ e IgG+, com teste de avidez de 92%. A conduta neste caso é:
Toxoplasmose IgM+ IgG+ com avidez de IgG alta (>60%) em gestante → infecção prévia, sem risco fetal agudo, nada a fazer.
O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção por Toxoplasma gondii. Avidez alta (>60%) em gestantes com IgM e IgG positivos indica que a infecção ocorreu há mais de 3-4 meses, antes ou no início da gestação, e não representa risco de infecção fetal aguda, dispensando tratamento.
A toxoplasmose é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gestação, pode ter sérias consequências para o feto. O diagnóstico preciso é fundamental para a conduta adequada, e a sorologia desempenha um papel central. A interpretação dos resultados de IgM e IgG, juntamente com o teste de avidez de IgG, permite diferenciar infecções agudas de crônicas, direcionando o manejo clínico e evitando intervenções desnecessárias. O teste de avidez de IgG avalia a força da ligação entre os anticorpos IgG e os antígenos do Toxoplasma. Anticorpos produzidos em infecções recentes (agudas) têm baixa avidez, enquanto os de infecções antigas (crônicas) têm alta avidez. Esse critério é crucial, especialmente no primeiro trimestre, onde a diferenciação entre infecção aguda e crônica é vital para avaliar o risco de transmissão congênita e decidir sobre a necessidade de tratamento e acompanhamento. Em casos de IgM+ e IgG+ com alta avidez, a conduta é expectante, sem necessidade de tratamento medicamentoso, pois a infecção fetal é improvável. Se a avidez for baixa ou indeterminada, ou em casos de soroconversão, a gestante deve ser tratada com espiramicina e encaminhada para acompanhamento especializado, incluindo ultrassonografias seriadas e, em alguns casos, amniocentese para pesquisa do parasita no líquido amniótico.
O teste de avidez de IgG é essencial para determinar o tempo da infecção por Toxoplasma gondii. Uma avidez alta (>60%) indica que a infecção é crônica (adquirida há mais de 3-4 meses), enquanto uma avidez baixa sugere infecção recente, com maior risco de transmissão fetal.
A gestante com IgM e IgG positivos não precisa de tratamento se o teste de avidez de IgG for alto. Isso significa que a infecção não é aguda e o risco de transmissão congênita é mínimo, pois a infecção ocorreu antes da gestação ou no seu início.
Uma infecção aguda por toxoplasmose na gravidez pode levar à toxoplasmose congênita, que pode causar abortamento, prematuridade, hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e deficiências neurológicas no feto ou recém-nascido.
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