Toxoplasmose na Gravidez: Manejo da Soroconversão Materna

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Gestante de 35 anos de idade iniciou pré-natal com 12 semanas de gravidez, momento em que apresentou, na sorologia para toxoplasmose, IgG e IgM negativos. Agora está com 24 semanas, e nova sorologia solicitada para a mesma doença mostra IgG e IgM positivos. Não há comorbidades. Qual a melhor conduta nesse momento?

Alternativas

  1. A) Realizar teste de avidez IgG.
  2. B) Iniciar espiramicina 3 g/dia e indicar amniocentese.
  3. C) Iniciar tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, alternados comespiramicina.
  4. D) Seguimento pré-natal habitual, sem necessidade de uso de medicação específica paratoxoplasmose ou outras medidas investigativas.
  5. E) Manter espiramicina 3 g/dia até o final do puerpério tardio e suspender a amamentação.

Pérola Clínica

Soroconversão toxoplasmose na gestação → Espiramicina + Amniocentese para PCR fetal.

Resumo-Chave

A soroconversão para toxoplasmose (IgG e IgM negativos para IgG e IgM positivos) durante a gestação indica infecção materna aguda. A conduta imediata é iniciar espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical e realizar amniocentese para PCR de Toxoplasma gondii no líquido amniótico, a fim de confirmar ou excluir a infecção fetal e guiar o tratamento subsequente.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gestação representa um risco significativo de transmissão vertical para o feto, resultando na toxoplasmose congênita. A gravidade da infecção fetal e as sequelas (neurológicas, oculares) são inversamente proporcionais à idade gestacional no momento da infecção materna. O diagnóstico da infecção materna aguda é crucial e frequentemente baseado na soroconversão, ou seja, a mudança de um perfil sorológico de IgG e IgM negativos para ambos positivos, como no caso apresentado. Uma vez confirmada a infecção materna aguda, a conduta inicial é a administração imediata de espiramicina, que tem como objetivo reduzir a taxa de transmissão vertical para o feto. Após o início da espiramicina, a próxima etapa é determinar se houve infecção fetal. Isso é feito por meio da amniocentese, geralmente a partir da 18ª semana de gestação e pelo menos 4 semanas após a soroconversão materna, para a pesquisa de DNA do Toxoplasma gondii no líquido amniótico por PCR. Se a infecção fetal for confirmada, o tratamento é escalonado para a terapia tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico), que visa tratar a infecção já estabelecida no feto. O acompanhamento ultrassonográfico fetal também é importante para identificar sinais de infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção aguda por toxoplasmose em gestantes?

A infecção aguda em gestantes é frequentemente assintomática. O diagnóstico é feito principalmente pela soroconversão (IgG e IgM negativos para positivos) ou pela presença de IgM positivo com IgG de baixa avidez em uma única amostra.

Qual o papel da espiramicina no tratamento da toxoplasmose gestacional?

A espiramicina é utilizada para reduzir o risco de transmissão vertical do parasita da mãe para o feto. Ela não trata a infecção fetal já estabelecida, mas atua na placenta, diminuindo a parasitemia materna e, consequentemente, a chance de o parasita atingir o feto.

Quando a amniocentese é indicada na toxoplasmose gestacional e o que ela busca?

A amniocentese é indicada após a confirmação da infecção materna aguda para determinar se houve transmissão fetal. Ela busca o DNA do Toxoplasma gondii no líquido amniótico por PCR. Se o PCR for positivo, confirma-se a infecção fetal, e o tratamento é escalonado para a terapia tríplice.

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