ENARE/ENAMED — Prova 2022
G1P0A1, idade gestacional de 9 semanas, volta à consulta de pré-natal trazendo os seguintes exames para toxoplasmose: IgG reagente e IgM reagente. Foi solicitado o teste de avidez IgG específico, que apresentou como resultado alta avidez. Nesse caso, devemos considerar
Toxoplasmose: IgM+ IgG+ e alta avidez IgG → infecção prévia (>4 meses).
Em gestantes, a presença de IgM e IgG reagentes com alta avidez de IgG indica uma infecção adquirida há mais de 4 meses, ou seja, antes da gestação atual ou no início dela, e não uma infecção aguda recente. Isso é crucial para avaliar o risco de transmissão vertical.
A toxoplasmose é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gestação, pode ter sérias consequências para o feto, incluindo aborto, malformações e sequelas neurológicas. A prevalência varia geograficamente, sendo um desafio diagnóstico importante no pré-natal. O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para o manejo adequado da gestante e a prevenção da toxoplasmose congênita. A fisiopatologia da toxoplasmose congênita envolve a passagem transplacentária do parasita, com a gravidade das manifestações fetais dependendo da idade gestacional no momento da infecção materna. O diagnóstico sorológico baseia-se na detecção de anticorpos IgM e IgG. A interpretação desses resultados, especialmente quando ambos são reagentes, exige o teste de avidez de IgG, que mede a força da ligação do anticorpo ao antígeno, diferenciando infecções recentes de antigas. O tratamento da toxoplasmose na gravidez depende do momento da infecção e da presença de infecção fetal. Em casos de infecção materna recente, a espiramicina é utilizada para reduzir o risco de transmissão. Se houver confirmação de infecção fetal, uma combinação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é indicada. O prognóstico fetal melhora significativamente com o diagnóstico e tratamento precoces, ressaltando a importância de uma interpretação sorológica acurada.
O teste de avidez de IgG é crucial para determinar o tempo da infecção por Toxoplasma gondii. Alta avidez sugere infecção adquirida há mais de 4 meses, enquanto baixa avidez indica infecção recente (menos de 4 meses), o que tem implicações diretas no risco de transmissão vertical e manejo da gestação.
Uma infecção aguda é caracterizada por IgM reagente e IgG reagente com baixa avidez de IgG. Uma infecção antiga ou crônica apresenta IgM reagente (que pode persistir por meses) e IgG reagente com alta avidez de IgG, ou apenas IgG reagente com IgM não reagente.
O maior risco de transmissão vertical e de consequências graves para o feto ocorre quando a infecção materna é adquirida durante a gestação, especialmente no primeiro e segundo trimestres. Infecções pré-gestacionais com alta avidez de IgG geralmente não representam risco de transmissão.
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