Toxoplasmose Gestacional: Diagnóstico e Manejo no Pré-Natal

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Primigesta, 23 anos, branca, amasiada, do lar, idade gestacional: 11 semanas. Vem à consulta de retorno pré-natal, na Unidade Básica de Saúde, para checar resultados de exames descritos a seguir:Hemoglobina: 12,6 g/dl; hematócrito: 40%.Sorologia para toxoplasmose (quimioluminescência): IgG reagente e IgM reagente.Qual o melhor manejo para essa gestante no pré-natal de origem?

Alternativas

  1. A) Repetir sorologia para toxoplasmose.
  2. B) Encaminhar para realização de amniocentese.
  3. C) Realizar orientações profiláticas e repetir sorologia.
  4. D) Iniciar espiramicina e solicitar teste avidez.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional (IgG+ IgM+) → iniciar espiramicina e solicitar avidez de IgG para datar infecção.

Resumo-Chave

Em gestantes com sorologia para toxoplasmose apresentando IgG e IgM reagentes, a conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical ao feto, enquanto se aguarda o resultado do teste de avidez de IgG. O teste de avidez é crucial para determinar se a infecção é recente (baixa avidez, alto risco fetal) ou antiga (alta avidez, baixo risco fetal), orientando os próximos passos do manejo.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e suas potenciais consequências graves para o feto, incluindo malformações congênitas e sequelas neurológicas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais no pré-natal para minimizar esses riscos. A sorologia para toxoplasmose, com pesquisa de IgG e IgM, é parte da rotina pré-natal. Quando uma gestante apresenta IgG e IgM reagentes, isso indica uma infecção recente ou uma reativação. Nesses casos, a conduta inicial é de extrema importância: deve-se iniciar imediatamente a espiramicina, um antibiótico que atua reduzindo a chance de o parasita atravessar a placenta e infectar o feto. Simultaneamente, solicita-se o teste de avidez de IgG. Este teste é fundamental para datar a infecção; uma baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), período de maior risco de transmissão vertical, enquanto uma alta avidez indica infecção antiga, geralmente adquirida antes da gestação. O resultado do teste de avidez, juntamente com a idade gestacional, guiará os próximos passos do manejo, que podem incluir a manutenção da espiramicina, a introdução de um esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) se houver infecção fetal confirmada, ou a realização de exames adicionais como ultrassonografia fetal detalhada e amniocentese para pesquisa de DNA do parasita. Residentes devem estar aptos a interpretar a sorologia e a tomar decisões rápidas e eficazes.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG ajuda a datar a infecção. Baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), indicando maior risco de transmissão fetal. Alta avidez indica infecção antiga, geralmente antes da gestação.

Por que a espiramicina é utilizada no manejo da toxoplasmose em gestantes?

A espiramicina é um macrolídeo que atravessa a placenta em baixa quantidade e atua reduzindo o risco de transmissão do parasita para o feto, sem tratar a infecção fetal já estabelecida. É usada como profilaxia da transmissão vertical.

Quando a amniocentese é indicada na toxoplasmose gestacional?

A amniocentese é indicada para pesquisa de DNA de Toxoplasma gondii no líquido amniótico quando há suspeita de infecção fetal confirmada (ex: IgM fetal positivo, ultrassom com alterações ou avidez de IgG materna baixa).

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