UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
Secundigesta, na 10ª semana de idade gestacional, comparece à primeira consulta de pré-natal e manifesta preocupação, pois seu primeiro filho tem problemas de retardo no desenvolvimento, devido a ela ter tido toxoplasmose. Em vista deste fato, a conduta a ser tomada é
Toxoplasmose na gestação: infecção prévia (IgG+) com IgM- e avidez alta não requer tratamento, apenas acompanhamento.
Em gestantes com história de toxoplasmose e filho com sequelas, a preocupação é com uma infecção ativa na gestação atual. A pesquisa de IgG e IgM é fundamental. Se IgG positivo e IgM negativo, a infecção é antiga e não há risco de transmissão congênita, exceto em imunocomprometidas.
A toxoplasmose é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gestação, pode ter graves consequências para o feto, incluindo retardo no desenvolvimento e lesões neurológicas. A triagem sorológica no pré-natal é fundamental para identificar gestantes suscetíveis ou com infecção ativa. A prevalência varia geograficamente, mas a infecção congênita é uma preocupação global. O diagnóstico da toxoplasmose gestacional baseia-se na sorologia. A presença de IgG positivo e IgM negativo indica infecção pregressa e imunidade, sem risco para o feto. Se IgM for positivo, é necessário investigar a avidez de IgG para determinar se a infecção é recente. Uma avidez alta (>60%) sugere infecção antiga, enquanto avidez baixa (<30%) sugere infecção recente. A conduta depende da fase da infecção e do risco de transmissão fetal. O tratamento com espiramicina é indicado para gestantes com infecção aguda confirmada, visando reduzir o risco de transmissão vertical. Se houver comprovação de infecção fetal, o tratamento passa a ser com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O acompanhamento é essencial para monitorar a saúde materna e fetal, e a tranquilização da gestante é importante quando a infecção é antiga e não representa risco.
A pesquisa de IgG e IgM é crucial para determinar se a infecção é aguda (IgM positivo, IgG em ascensão) ou crônica (IgG positivo, IgM negativo). A infecção aguda é a que oferece risco de transmissão congênita.
O risco de transmissão congênita ocorre apenas quando a gestante adquire a infecção primária durante a gravidez. Infecções prévias à gestação (IgG positivo, IgM negativo) geralmente não representam risco.
O teste de avidez de IgG é útil para datar a infecção. Uma alta avidez de IgG em gestantes com IgG e IgM positivos sugere infecção adquirida há mais de 3-4 meses, indicando que não é uma infecção recente e, portanto, menor risco fetal.
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