Toxoplasmose na Gravidez: Avidez de IgG e Conduta

CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 18 anos, 10 semanas de gestação em acompanhamento pré-natal. Á sorologia apresentou IgG e IgM positivo para toxoplasmose. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Conservadora. Paciente IgG positivo é imune à doença e por isso não há risco de infecção fetal.
  2. B) Realizar teste de avidez de IgG, se alta iniciar o tratamento
  3. C) Repetir sorologia trimestralmente e verificar se houve alguma alteração
  4. D) Realizar teste de avidez de IgG, se baixa iniciar o tratamento

Pérola Clínica

IgG e IgM+ para toxoplasmose na gestação → avidez de IgG para datar infecção e guiar tratamento.

Resumo-Chave

Em gestantes com IgG e IgM positivos para toxoplasmose, o teste de avidez de IgG é fundamental para determinar se a infecção é recente (baixa avidez, alto risco de transmissão fetal) ou antiga (alta avidez, baixo risco). Se a avidez for baixa, a infecção é aguda e o tratamento deve ser iniciado para reduzir o risco de toxoplasmose congênita.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gestação, pode ter consequências devastadoras para o feto, resultando na toxoplasmose congênita. O diagnóstico e manejo adequados são pilares do pré-natal. A interpretação da sorologia é fundamental: IgG positivo indica exposição prévia, enquanto IgM positivo sugere infecção recente. No entanto, o IgM pode persistir por meses, tornando sua interpretação isolada insuficiente para datar a infecção. Nesse cenário, o teste de avidez de IgG se torna uma ferramenta diagnóstica indispensável. Uma baixa avidez de IgG confirma uma infecção recente, aumentando a preocupação com a transmissão vertical e indicando a necessidade de iniciar o tratamento com espiramicina. Se a avidez for alta, a infecção é antiga e o risco fetal é mínimo, evitando tratamentos desnecessários e a ansiedade materna. Para o residente, é vital dominar o algoritmo de investigação da toxoplasmose na gestação. Isso inclui a solicitação correta dos exames, a interpretação dos resultados sorológicos e a tomada de decisão terapêutica baseada na avidez de IgG. O objetivo é prevenir a toxoplasmose congênita ou minimizar suas sequelas, garantindo a saúde materno-fetal através de uma conduta baseada em evidências.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção por toxoplasmose. Uma baixa avidez de IgG indica uma infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), o que confere um risco significativo de transmissão vertical para o feto. Uma alta avidez de IgG sugere uma infecção antiga, com baixo risco de transmissão.

Quando se deve iniciar o tratamento para toxoplasmose na gravidez?

O tratamento deve ser iniciado se o teste de avidez de IgG for baixo, indicando infecção recente. Inicialmente, a espiramicina é usada para reduzir o risco de transmissão placentária. Se houver evidência de infecção fetal, o esquema muda para pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.

Quais os riscos da toxoplasmose congênita para o feto?

A toxoplasmose congênita pode causar uma série de problemas graves no feto, incluindo hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite, microcefalia, retardo psicomotor e surdez. A gravidade depende do trimestre da infecção materna.

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