HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2020
Gestante com 14 semanas, apresentando IgG e IgM positivos para toxoplasmose com alta avidez de IgG. Qual a sua conduta?
Toxoplasmose gestacional: IgG e IgM positivos + alta avidez de IgG = infecção passada, sem risco agudo para o feto.
Em gestantes, IgG e IgM positivos com alta avidez de IgG indicam que a infecção por toxoplasmose ocorreu há mais de 4 meses, ou seja, antes da gestação ou no início, não representando risco de infecção aguda fetal nesta gestação.
A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas fetais. Residentes e estudantes de medicina devem dominar a interpretação dos exames sorológicos para um manejo adequado. A epidemiologia da toxoplasmose é global, e a infecção pode ser adquirida através da ingestão de carne crua ou malcozida, ou contato com fezes de gatos contaminadas. A importância clínica reside na capacidade de diferenciar uma infecção aguda (com risco de transmissão) de uma infecção passada (sem risco agudo). A fisiopatologia da toxoplasmose congênita envolve a passagem do parasita Toxoplasma gondii da mãe para o feto através da placenta durante uma infecção materna aguda. O risco de transmissão e a gravidade das sequelas fetais variam com a idade gestacional no momento da infecção materna. O diagnóstico sorológico é crucial: IgG positivo indica imunidade ou infecção passada; IgM positivo pode indicar infecção recente, mas pode persistir por meses ou anos. O teste de avidez de IgG é o principal diferencial: alta avidez de IgG indica que a infecção ocorreu há mais de 4 meses (geralmente > 12-16 semanas), enquanto baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses). No caso de uma gestante com 14 semanas, IgG e IgM positivos e alta avidez de IgG, a interpretação é que a infecção materna é antiga, ou seja, ocorreu antes da gestação ou no início, bem antes das 14 semanas. Portanto, não há risco de toxoplasmose congênita aguda para o feto nesta gestação. A conduta adequada é tranquilizar o casal e orientar que a infecção é passada, sem necessidade de tratamento medicamentoso ou exames invasivos como PCR no líquido amniótico. O tratamento com espiramicina é indicado para infecção materna aguda para reduzir o risco de transmissão, e sulfadiazina/pirimetamina para tratamento fetal confirmado, mas não se aplica a este cenário.
IgG positivo indica contato prévio com o parasita, enquanto IgM positivo pode indicar infecção recente ou persistência de anticorpos por meses. A combinação de ambos requer investigação adicional, principalmente com o teste de avidez de IgG, para determinar o momento da infecção.
A alta avidez de IgG significa que os anticorpos IgG são 'maduros' e se ligam fortemente ao parasita. Isso indica que a infecção ocorreu há mais de 4 meses (geralmente > 12-16 semanas). Em uma gestante, se a avidez é alta e a gestação está no primeiro ou segundo trimestre, a infecção provavelmente é pré-gestacional e não representa risco agudo de transmissão congênita.
Quando uma gestante apresenta IgG e IgM positivos com alta avidez de IgG, a conduta é reassegurar o casal de que a infecção é passada e não há risco de transmissão congênita aguda para o feto nesta gestação. Não é necessário iniciar tratamento medicamentoso ou realizar exames invasivos como PCR no líquido amniótico.
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