AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
L.S, 28 anos, G1, IG de 10 semanas, comparece à consulta pré-natal preocupada com resultados de exames sorológicos feitos no dia anterior, que mostraram: sorologia para toxoplasmose IgM reagente, IgG reagente. Sobre tal quadro, considere as seguintes afirmações e assinale a correta:
Gestante com IgM+ IgG+ para Toxoplasma → Avidez de IgG. Alta avidez >16 semanas = infecção antiga, baixo risco.
Em gestantes com sorologia IgM e IgG reagentes para toxoplasmose, a avidez de IgG é crucial para determinar o tempo da infecção. Alta avidez de IgG geralmente indica infecção adquirida há mais de 12-16 semanas, sugerindo que a infecção é crônica e ocorreu antes ou no início da gestação, com menor risco de transmissão fetal.
A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas graves para o feto. O diagnóstico sorológico é a base da investigação, mas a interpretação dos resultados, especialmente quando IgM e IgG são reagentes, pode ser desafiadora. O IgM pode persistir por longos períodos após a infecção aguda, não sendo um marcador exclusivo de infecção recente. Nesse cenário de IgM e IgG reagentes, a dosagem da avidez de IgG é o próximo passo essencial. A avidez de IgG reflete a força da ligação entre o anticorpo e o antígeno. Em infecções recentes, os anticorpos IgG têm baixa avidez, enquanto em infecções antigas, a avidez aumenta. Uma alta avidez de IgG (geralmente >30% ou >0,30, dependendo do kit) em uma gestante com mais de 16 semanas de gestação indica que a infecção ocorreu há mais de 12-16 semanas, ou seja, antes da concepção ou no início da gravidez, e o risco de transmissão fetal é mínimo. Se a avidez for baixa, ou se a gestação for muito inicial para que a alta avidez se estabeleça, a investigação deve prosseguir com a pesquisa de DNA do parasita por PCR no líquido amniótico, e a gestante deve ser encaminhada para pré-natal de alto risco e iniciar tratamento com espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical. A correta interpretação da sorologia e da avidez de IgG é fundamental para evitar tratamentos desnecessários e ansiedade na gestante, ao mesmo tempo em que garante a identificação e manejo adequado dos casos de risco real.
A avidez de IgG é fundamental para estimar o tempo da infecção por Toxoplasma gondii. Anticorpos IgG de baixa avidez indicam uma infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), enquanto IgG de alta avidez sugere uma infecção antiga (adquirida há mais de 12-16 semanas). Isso é crucial para avaliar o risco de transmissão congênita.
Se a avidez de IgG for alta, especialmente se a gestação estiver em curso há mais de 16 semanas, considera-se que a infecção por Toxoplasma é antiga, ou seja, ocorreu antes ou no início da gestação. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é muito baixo, e geralmente não há necessidade de tratamento específico para a toxoplasmose, podendo a gestante seguir o pré-natal de baixo risco.
A toxoplasmose aguda adquirida durante a gestação pode levar à transmissão congênita do parasita para o feto, com risco de malformações, retinocoroidite, hidrocefalia, calcificações intracranianas e outras sequelas neurológicas e oculares. O risco e a gravidade da transmissão fetal variam com a idade gestacional em que a infecção materna ocorre.
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