SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021
Primigesta com idade gestacional de 29 semanas comparece à sua 4° consulta de pré-natal. Fez todos os exames recomendados na sua rotina de primeiro trimestre; mostrou sorologia para toxoplasmose IgG- negativo e IgM- negativo. Hoje, apresenta exames realizados na semana anterior, cuja sorologia de toxoplasmose apresenta-se IgG- negativo e IgM positivo. Marque a alternativa que melhor se aplica à condução desta gestante:
Gestante IgG- IgM+ com soroconversão → Toxoplasmose aguda = Iniciar Espiramicina imediatamente.
A gestante apresentou soroconversão para toxoplasmose (IgG negativo no primeiro trimestre e IgM positivo com IgG negativo agora), indicando uma infecção aguda recente durante a gestação. A conduta imediata é iniciar espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical para o feto e repetir a sorologia para acompanhar a titulação e confirmar a soroconversão.
A toxoplasmose gestacional é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii que, quando adquirida durante a gravidez, pode levar à toxoplasmose congênita, uma condição grave com potenciais sequelas neurológicas, oculares e auditivas para o feto. O rastreamento sorológico no pré-natal é fundamental para identificar gestantes suscetíveis (IgG e IgM negativos) e aquelas que soroconverteram durante a gestação. No caso apresentado, a gestante, inicialmente IgG e IgM negativos, agora apresenta IgM positivo e IgG negativo, caracterizando uma soroconversão e, portanto, uma infecção aguda recente por toxoplasmose adquirida durante a gestação. Esta situação exige uma intervenção imediata para minimizar o risco de transmissão vertical para o feto. A conduta inicial e mais importante é iniciar imediatamente o tratamento com espiramicina. Este antibiótico tem como objetivo reduzir a taxa de transmissão transplacentária do parasita. Após o início da espiramicina, a sorologia deve ser repetida em 3 semanas para monitorar a titulação dos anticorpos. O teste de avidez de IgG pode ser solicitado para confirmar a datação da infecção, mas não deve atrasar o início da espiramicina. Se houver evidência de infecção fetal (por amniocentese com PCR ou ultrassonografia com alterações), o esquema terapêutico pode ser alterado para pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.
A soroconversão (IgG negativo no início da gestação e IgM positivo com IgG negativo ou em ascensão posteriormente) indica uma infecção aguda por Toxoplasma gondii adquirida durante a gravidez, representando alto risco de transmissão fetal.
A espiramicina é um macrolídeo que atravessa a placenta e se concentra nela, reduzindo o risco de transmissão do parasita para o feto em casos de infecção materna aguda, mas não trata a infecção fetal já estabelecida.
O teste de avidez de IgG é útil para datar a infecção quando há IgM positivo e IgG positivo. Uma alta avidez sugere infecção antiga (>4 meses), enquanto baixa avidez sugere infecção recente (<4 meses). Não é o primeiro passo na soroconversão clara.
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